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O alerta inicial: 4 de novembro de 2025
A troca de mensagens tem início no dia 4 de novembro de 2025, quando Vorcaro parece ter sido alertado por Moraes sobre alguma coisa que estaria prestes a intercorrer no contextura da Justiça. “Mas pedido deferido por secção deles? Um tanto que de para bloquear?”, pergunta o banqueiro em resposta ao que lhe fora transmitido pelo magistrado.
Três minutos depois, Vorcaro volta a grafar, agora mais preocupado: “Porque, se conseguem alguma medida contra agora, vai tudo por chuva aquém. Essa é minha maior preocupação”.
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Oito minutos se passam e uma novidade mensagem é enviada. O banqueiro questiona se um interlocutor de Moraes não poderia “segurar isso” enquanto ele tentava “falar com Paulo” — referência ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
“Foda que não sei nem do que se trata pra poder tentar atuar. Se vier alguma coisa Bacen entrará na hora. (sic) Já me avisaram isso. FGC também. Ele não consegue segurar isso? Ou passar de onde seria pra podermos tentar falar com Paulo”, escreveu Vorcaro a Moraes.
Logo em seguida, mais uma mensagem: “Estou nos Emirados Árabes tratando com investidor. Se tiver alguma coisa, perco tudo cá também”.
Sisudez desconhecida e espera angustiante
Passados tapume de quinze minutos, Vorcaro insiste em obter detalhes de Moraes sobre a natureza da ação que se desenhava contra ele. Um terceiro interlocutor aparece mencionado uma vez que alguém que poderia atualizar o ministro sobre a situação: “Médio a grave seria procura ou quebra de sigilo? Só vai saber quando ele invocar, né”.
Aparentemente diante de uma orientação de Moraes, o banqueiro responde três minutos depois: “Vou permanecer acordado, logo, cá pra te esperar”.
Uma hora e meia mais tarde, Vorcaro retorna à conversa visivelmente obsesso, rogando ao ministro que impedisse qualquer ação contra o banco. Ele pede que Moraes “deixe uma mensagem em seguida falar com ele” — referência a uma suposta natividade que traria informações sobre a investigação contra o Master.
“Vou dormir por cá, que amanhã cedo tenho uma reunião importante. Pelo paixão de Deus, veja se você consegue bloquear toda a malícia. Uma vez que eu disse, não temos zero, nem o Banco Meão abriu sequer um processo administrativo, e eles me auditam todos os dias. Estou pronto pra ir em qualquer um explicar qualquer coisa, mas uma medida drástica agora literalmente quebra o banco de modo irreversível. Se puder, me deixe uma mensagem em seguida falar com ele”, escreveu Vorcaro.
5 de novembro: a procura por informações se intensifica
Na manhã do dia 5 de novembro, por volta das 11h16, Vorcaro retoma o diálogo com Moraes. Ele responde ao ministro dizendo estar “perdido” porque não sabia “nem qual questionário é”. A mensagem evidencia que foi por meio de Moraes que o banqueiro tomou conhecimento da existência de investigações, desencadeando uma mobilização junto a seus advogados para esclarecer a situação com “Paulo”, o superintendente da PGR.
“Estou com o Pier e o Podval, falaram com o Paulo ambos, mas foi dito que nem número tinha ainda, que estava designando a pessoa que iria cuidar”, relata Vorcaro ao ministro sobre o que seus advogados teriam escolhido junto à Procuradoria-Universal da República.
Vinte minutos depois, o banqueiro reforça: “Se fosse provável saber o que é, entramos imediatamente”.
Moraes uma vez que provável estrategista do banqueiro
No termo da tarde daquele mesmo dia 5, Vorcaro envia um texto longo a Moraes. Relata que o legista Pierpaolo “tava querendo fazer uma petição” para buscar eventuais inquéritos e consulta o ministro do STF se “acha que vale a pena”.
Nesse trecho, a relação entre os dois ganha contornos ainda mais delicados. Além de aparente informante, Moraes parece desempenhar o papel de orientador estratégico. “Não vou fazer nenhum movimento que você não descobrir produtivo”, escreve o banqueiro ao magistrado.
O nome do procurador-geral volta a surgir: “Estamos no escuro. O Paulo só disse que tava olhando pessoalmente e que não teria sacanagem. Mas ontem ligou o alerta vermelho, né? Uma ação desmedida coloca em risco milhões de clientes”, disse Vorcaro.
Murado de quatro horas depois, novo questionamento ao ministro: “Uma vez que estamos aí? Conseguiu bloquear a malícia e sacanagem?”
Dias de tensão: 6 a 14 de novembro
A conversa só é retomada no dia 6 de novembro de 2025, por volta das 19h26. Vorcaro parece reagir a uma informação recebida de Moraes: “Isso e Brasília? Sabe o tema? Estou seguro ou tem que entrar agora urgente?”
Nos dias seguintes, uma série de mensagens documenta a inquietação crescente do banqueiro com a certeza de que a investigação estava em curso. Ao longo de vários dias, ele tenta agendar um encontro pessoal com Moraes para “atualizar de tudo”, conforme mensagem do dia 12 de novembro.
O encontro presencial entre Moraes e Vorcaro foi marcado para as 14h30 do dia 14 de novembro, uma sexta-feira. A prisão do banqueiro pela Polícia Federalista aconteceria na segunda-feira seguinte, dia 17, quando ele tentava deixar o Brasil — em seguida ter trocado diversas mensagens com Moraes sobre “bloquear” ações contra ele.
Na saída da conversa presencial com o ministro, Vorcaro demonstra ter ficado tranquilizado: “Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você”, escreveu ao magistrado.
15 de novembro: a preocupação retorna com força
No dia seguinte ao encontro, em 15 de novembro, o tom muda radicalmente. Vorcaro volta a fazer perguntas que sugerem novas informações recebidas de Moraes: “Que loucura. Muito na semana que estou resolvendo tudo. Aquele mesmo juiz Ricardo? E o Galipolo tá sabendo? Conseguimos fazer alguma coisa? Acha que segunda já tenho que estar fora?”, escreveu por volta das 21h22.
Um minuto depois, novidade mensagem: “Não conseguimos virar isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?”
Véspera da prisão: 16 de novembro
No dia 16 de novembro, às vésperas da operação que resultaria na sua prisão, Vorcaro pede para ver Moraes rapidamente: “Passo na sua vivenda ou prefere na minha?”
“Muita sacanagem isso. Estou perplexo e revoltado. Esses caras vão destruir todo o negócio e sem volta. De repente até melhor eu encarar de frente. Temos que dar um jeito de desarmar isso meu Deus”, escreveu o banqueiro ao ministro.
À medida que o relógio avançava rumo à operação policial, a sofreguidão de Vorcaro transparece em uma rajada de perguntas dirigidas a Moraes: “Ele tá sabendo das soluções? E quer antecipar pra não deixar intercorrer? Qual sua leitura? O que tá havendo? E com Andrei dá pra segurar?”
Minutos depois, o banqueiro levanta a hipótese de pressão vinda do presidente do Banco Meão: “É o Galipolo quem está pressionando isso para fazer mediação?”. Na sequência, pede que Moraes tentasse viabilizar um encontro com Galipolo.
“Tentar que o Galipolo me receba e eu apresente o que vamos protocolar essa semana. Vamos resolver tudo”, escreveu Vorcaro.
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https://www.contrafatos.com.br/troca-de-mensagens-indica-que-moraes-atuou-como-conselheiro-e-informante-de-vorcaro-antes-da-prisao-do-banqueiro//Manadeira/Créditos -> CONTRA FATOS
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