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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federalista (STF), autorizou a realização de buscas e apreensões e determinou o bloqueio de R$ 97 milhões no contextura de uma investigação envolvendo recursos do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev/Maceió) aplicados em Letras Financeiras do velho Banco Master.
A decisão, assinada no sábado 8, acolheu parcialmente as solicitações apresentadas pela Polícia Federalista (PF), que investiga possíveis irregularidades relacionadas às aplicações realizadas pelo instituto.
O questionário examina duas operações realizadas pelo Iprev/Maceió: uma emprego de R$ 80 milhões, feita em dezembro de 2023, e outra de R$ 17 milhões, realizada em maio de 2024.
Segundo a PF, os fatos podem estar relacionados a suspeitas de gestão fraudulenta, ramal de recursos públicos, lavagem de verba e organização criminosa. O objetivo das apurações é esclarecer por que segmento dos recursos destinados à previdência dos servidores municipais foi direcionada para títulos emitidos pelo Master e uma vez que foram tomadas as decisões de investimento.
Os mandados de procura e consumição autorizados por Mendonça têm uma vez que alvos seis investigados:
1 – Ronnie Reyner Teixeira Mota;
2 – Gustavo Antônio Rodrigues de Souza;
3 – Renan Foglia Calamia;
4 – Marília Alexandre de Lima Alves;
5 – Marcelo Brasílico Santos;
6 – e João Felipe Alves Borges.
Também foram incluídas nas diligências as sedes do Iprev/Maceió e da consultoria Crédito & Mercado de Valores Mobiliários.
Com a autorização judicial, os agentes poderão recolher celulares, computadores, documentos, contratos, extratos bancários, agendas e outros materiais que possam contribuir para esclarecer as operações. O ministro ainda permitiu a extração e estudo pericial de informações armazenadas em aplicativos uma vez que WhatsApp e Telegram, além de serviços de armazenamento em nuvem.
PF questiona política de investimentos e aplicações no Master
Um dos principais pontos analisados pela PF é a política de investimentos adotada pelo Iprev/Maceió no período das aplicações. Conforme consta da decisão, o planejamento estabelecido para 2023 previa meta de 0% para ativos emitidos por instituições bancárias. Para 2024, o limite previsto era de 5%.
Os investigadores, entretanto, apontam que a exposição aos ativos teria obtido aproximadamente 20% do patrimônio do regime previdenciário. A PF também identificou, segundo a investigação, falta de estudos comparativos independentes e fragilidades nas avaliações relacionadas aos riscos de crédito e de liquidez.
As Letras Financeiras adquiridas pelo instituto eram subordinadas. Essa propriedade coloca o investidor em posição menos favorável na eventual ordem de pagamento aos credores, vista que também passou a ser considerado na apuração.
A situação cadastral do velho Banco Master também está entre os pontos analisados. Segundo a PF, no momento da primeira emprego, de R$ 80 milhões, em dezembro de 2023, o banco não aparecia na chamada “lista exaustiva” do Ministério da Previdência que reunia instituições habilitadas a receber recursos de regimes próprios. A instituição teria sido incluída posteriormente.
Ao estimar os elementos apresentados pela investigação, Mendonça ressaltou que as informações disponíveis não são suficientes, por si só, para justificar a ocorrência de fraude. O ministro, porém, considerou que existem questões que justificam o prosseguimento e o aprofundamento das apurações.
“A divergência não prova, por si, fraude, mas exige explicação técnica documentada, inexistente ou insuficiente nos elementos até cá reunidos”, afirmou o ministro.
O magistrado também levantou questionamentos relacionados aos procedimentos de governança do instituto. Entre os pontos citados está uma provável privação de quórum em uma reunião do Juízo de Gestão que tratou da política de investimentos para 2024.
Bloqueio de R$ 97 milhões atinge seis investigados
Além de autorizar as buscas, Mendonça determinou o bloqueio de R$ 97 milhões pertencentes aos seis investigados. A quantia corresponde ao valor nominal somado das duas operações que estão sob estudo da Polícia Federalista.
A medida cautelar poderá perceber diferentes tipos de patrimônio, incluindo contas e outros ativos financeiros, imóveis, veículos, participações em empresas, títulos, valores mobiliários, aeronaves, embarcações e criptoativos.
Eventuais empresas controladas pelos investigados também poderão ser alcançadas pelas medidas, desde que seja identificada a pessoa jurídica e demonstrada sua relação com os fatos investigados.
O ministro determinou ainda o envio de informações ao Banco Mediano, à Percentagem de Valores Mobiliários e à B3. Entre os dados solicitados ao Banco Mediano estão informações sobre a situação prudencial do velho Master e sobre a captação dos recursos provenientes do Iprev.
À B3 caberá fornecer dados capazes de facilitar na reconstrução do registro e da precificação das duas Letras Financeiras compradas pelo instituto.
Mendonça rejeita segmento dos pedidos apresentados pela PF
Embora tenha autorizado segmento das medidas solicitadas pelos investigadores, Mendonça negou outros pedidos apresentados pela Polícia Federalista.
O ministro não permitiu, por exemplo, a realização de buscas contra Guilherme Emmanuel Lanzillotti Alvarenga, atual presidente do Iprev/Maceió, e Francy Sthephany Sobreiro Barbosa de Souza, que ocupava o missão de dirigente de gabinete do instituto.
Nesse vista, Mendonça seguiu o entendimento da Procuradoria-Universal da República, que avaliou que os elementos apresentados não eram suficientes para justificar as diligências contra os dois.
Guilherme passou a ser citado na investigação por culpa de um ofício assinado em 2026. No documento, ele teria pronunciado que o Master estava plenamente habilitado a receber recursos do instituto no período das operações. A PF contesta essa informação e sustenta que ela seria incorreta, ao menos no que diz reverência à emprego de R$ 80 milhões realizada em dezembro de 2023.
Apesar da controvérsia, Mendonça concluiu que, no estágio atual da investigação, não havia elementos suficientes para autorizar uma procura e consumição contra o presidente do Iprev.
O ministro também rejeitou o pedido para distanciar os investigados de cargos públicos, funções ou atividades econômicas e financeiras. Para Mendonça, a PF não demonstrou a existência de risco concreto e atual de que a permanência dessas pessoas nas respectivas funções pudesse comprometer a produção de provas ou prejudicar o curso das investigações.
“Carece o pedido da necessária identificação dos elementos que indiciariam, de forma concreta, o modo pelo qual os investigados se utilizariam das posições públicas eventualmente ocupadas para obstaculizar a atividade probatória ou prosseguir no cometimento de ilícitos”, registrou o ministro.
https://jornalbrasilonline.com.br/urgente-mendonca-aciona-a-pf-em-nova-acao-no-caso-master//Nascente/Créditos -> JORNAL DO BRASIL ONLINE
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