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Há um oferecido que merece atenção: em abril, eram 50% os que diziam que a economia havia piorado. A queda para 43% pode parecer consolação. Mas não se engane. Quando quase metade da população diz que as coisas pioraram e somente um em cada cinco percebe melhora, o que temos não é recuperação. É estagnação da percepção de sinistro.
Mas há um pormenor.
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O verdadeiro soco no estômago está em outro número: 66% dos entrevistados afirmam que os provisões ficaram mais caros no último mês. Dois terços do país olham para o prato e veem menos comida pelo mesmo preço — ou mais quantia para a mesma comida.
E o poder de compra? 68% dizem que compram menos hoje do que há um ano. Não é opinião de economista. Não é projeção de mercado. É o brasílico médio dizendo, com todas as letras, que seu salário encolheu.
Agora compare.
Lula assumiu prometendo que o povo voltaria a manducar picanha e tomar cerveja. Dois anos e meio depois, o povo está tentando manter o arroz e o feijoeiro no prato. A política econômica do PT — baseada em gasto público crescente, intervencionismo estatal e resistência crônica a qualquer disciplina fiscal — entregou exatamente o que sempre entrega: inflação corroendo o bolso de quem menos pode.
E qual é a resposta do governo?
Mais um programa.
O novo Desenrola, publicado por 66% dos entrevistados, é a solução mágica para um problema que o próprio governo ajuda a fabricar. O roteiro é publicado: o Estado sufoca a economia com juros altos — consequência direta do descontrole fiscal —, o brasílico se endivida, e portanto o governo lança um programa para renegociar as dívidas que ele mesmo incentivou. É o bombeiro piromaniaco em sua versão mais sofisticada.
Os resultados do Desenrola falam por si: 87% dos entrevistados não foram beneficiados. Entre os 12% que foram, somente 35% relataram aumento significativo de renda. Ou seja, o programa atingiu uma fração minúscula da população — e mesmo entre esses, o impacto foi modesto.
Enquanto isso, 47% dizem ter poucas dívidas e 21% relatam ter muitas. Somados, quase 70% do país convive com qualquer nível de endividamento. Não é crise passageira. É um padrão econômico que empurra o cidadão para o vermelho enquanto o Estado engorda.
A pergunta que ninguém faz é simples: se a economia estivesse funcionando, seria necessário fabricar um programa detrás do outro para socorrer o brasílico?
O PT governa há dois anos e meio com a mesma silabário de sempre — mais Estado, mais gasto, mais mediação, mais programas com nomes criativos. Os números da Quaest mostram o resultado concreto dessa receita: um país onde a maioria vê a economia piorando, o prato ficando mais custoso e o salário comprando menos.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas entre 10 e 13 de julho, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Dois pontos para mais ou para menos não mudam o diagnóstico. O brasílico sabe que está mais pobre. A única incerteza é se o governo sabe — e finge que não — ou se genuinamente acredita que mais uma rodada de Desenrola vai consertar o que décadas de estatismo não consertaram. Qualquer uma das hipóteses é assustadora.
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https://www.contrafatos.com.br/a-economia-piorou-e-o-brasileiro-sabe-mesmo-que-o-governo-finja-nao-ouvir//Natividade/Créditos -> CONTRA FATOS
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