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O Ministério da Justiça do Brasil publicou no Quotidiano Solene da União a Portaria nº 6.737, determinando a expulsão do cidadão russo Sergey Vladimirovich Cherkasov, de 41 anos, recluso em penitenciária federalista de Brasília desde dezembro de 2022 e sentenciado a cinco anos por falsidade ideológica. A expulsão inclui proibição de retorno ao Brasil por 30 anos, contados a partir da data de realização da medida. A saída do país, porém, não será imediata. A portaria condiciona a expulsão ao cumprimento integral da pena ou à liberação pelo Poder Judiciário.
A resguardo de Cherkasov planeja levar o caso ao Supremo Tribunal Federalista para questionar a realização da medida. O Departamento de Estado dos EUA declarou nesta quarta-feira (8) estar “profundamente preocupado” com a possibilidade de Cherkasov deixar o Brasil e voltar à Rússia.
Diploma de promanação no Rio de Janeiro
Cherkasov entrou no Brasil pela primeira vez em junho de 2010 usando seu passaporte russo verdadeiro. A identidade que escolheu erigir foi a de Victor Muller Ferreira, supostamente nascido em Niterói, em 1989, com progénie alemã, recurso que serviria para justificar o sotaque difícil de identificar que inevitavelmente carregaria.
A certificado de promanação atribuída a ele teria sido expedida em um cartório do Rio de Janeiro. Segundo investigações conduzidas pela Polícia Federalista e posteriormente compartilhadas com o FBI, Cherkasov teria oferecido um grudar medido em 400 dólares a uma funcionária do cartório para obter ajuda no processo de regularização dos documentos.
Não havia indícios de que ela soubesse da relação com espionagem. A partir da certificado, obteve identidade, CPF, carteira de habilitação, título de sufragista, cartão do SUS e passaporte brasílio, todos autênticos, todos emitidos por órgãos públicos reais, todos sustentando uma pessoa que não existia.
Quatro páginas de vida fabricada
O ponto mais crítico do caso surgiu na consumição de um laptop de Cherkasov pelas autoridades holandesas. Um documento de quatro páginas sabido no vocabulário da espionagem porquê “mito”, o roteiro detalhado da identidade de cobertura. O material descrevia uma biografia completa de Victor Muller Ferreira. A mãe que havia morrido durante o parto, o pai ausente, a progénie alemã que explicava o sobrenome e o sotaque, com uma puerícia marcada por mudanças entre cidades brasileiras incluindo Brasília, e lembranças sensoriais fabricadas com precisão, entre elas o cheiro de peixe perto de uma ponte no Rio de Janeiro.
A mito incluía também os restaurantes favoritos de Victor em Brasília e detalhes de hábitos do dia a dia. Para substanciar a cobertura no cotidiano, Cherkasov fez aulas de forró em São Paulo e trabalhou em uma escritório de turismo e câmbio no Rio de Janeiro, estabelecimento que investigadores americanos identificaram porquê possivelmente ligado a um solene do GRU, o serviço de perceptibilidade militar das Forças Armadas russas. Foi justamente essa risco no currículo que levantou as primeiras suspeitas na CIA.
Trinity College, Johns Hopkins e Washington
Com documentos brasileiros em mãos e uma biografia capaz de sustentar perguntas inesperadas, Cherkasov avançou internacionalmente. De 2015 a 2018, estudou ciência política no Trinity College Dublin, uma das instituições acadêmicas mais conhecidas da Irlanda. Depois, mudou-se para Washington e ingressou na Johns Hopkins School of Advanced International Studies, a SAIS, uma das principais escolas de formação de diplomatas e analistas de política externa dos Estados Unidos.
Chegou a morar a poucos quilômetros da sede da CIA, em Langley. Segundo as acusações formalizadas pelo Departamento de Justiça americano em março de 2023, foi durante o período americano que Cherkasov intensificou a coleta de informações sobre política externa dos EUA, ampliou sua rede de contatos com futuros quadros do governo e enviou relatórios regulares ao GRU.
Professores das duas instituições relataram posteriormente que ele atribuía o sotaque difícil de identificar a uma puerícia complexa. Ninguém questionou. A identidade resistia porque pessoas reais estavam, sem saber, confirmando a existência do personagem.
Esconderijo em Cotia
A investigação da Polícia Federalista identificou um elemento que sustentou a tese de operação estruturada. Um esconderijo montado em superfície de mata em Cotia, na Grande São Paulo, que funcionaria porquê ponto de escora para a suposta rede de espionagem. No lugar foram encontrados equipamentos eletrônicos e materiais usados para armazenar mensagens destinadas a outros integrantes da organização, material que poderia ser renovado por agentes sem premência de contato direto entre eles. Os dispositivos foram localizados a partir de dados extraídos do celular apreendido com Cherkasov no momento da prisão, em Guarulhos, e posteriormente repassados ao FBI para estudo.
Tribunal que investigava Putin
Em setembro de 2020, ainda sob a identidade de Victor Muller Ferreira, Cherkasov iniciou o processo seletivo para um estágio não remunerado no Tribunal Penal Internacional, em Haia. A candidatura se arrastou por pretexto da pandemia, mas obteve aval em fevereiro de 2022, quando a Rússia lançou a invasão em larga graduação da Ucrânia e o TPI intensificou investigações sobre possíveis crimes de guerra atribuídos a Moscou.
Um agente do GRU dentro do tribunal poderia observar rotinas, identificar funcionários, mapear vulnerabilidades, acessar calendários e erigir relações com pessoas envolvidas diretamente nas investigações sobre a guerra. A perceptibilidade holandesa avaliou o risco porquê incabível.
Em 31 de março de 2022, Cherkasov embarcou do Brasil para a Holanda convicto de que sua cobertura permanecia intacta. No dia seguinte, ao desembarcar no aeroporto de Schiphol, em Amsterdã, encontrou as autoridades holandesas à sua espera.
A AIVD, escritório de perceptibilidade e segurança dos Países Baixos, havia sido alertada pela CIA. Dito persona non grata, foi deportado imediatamente. De volta ao Brasil, a Polícia Federalista o prendeu em Guarulhos por uso de documentos falsos.
Disputa entre três países
A partir da prisão, o caso passou a ser disputado em graduação diplomática. Em agosto de 2022, a Rússia apresentou pedido de extradição alegando que Cherkasov respondia por tráfico de drogas em Moscou, sem mencionar espionagem. O STF apreciou o pedido sob relatoria do ministro Edson Fachin, que em dezembro de 2024 negou a extradição por entender que Cherkasov ainda tinha pendências penais no Brasil.
Em março de 2023, o Departamento de Justiça dos EUA formalizou acusações contra ele por atuar porquê agente ilícito do GRU em território americano entre 2012 e abril de 2022, fraude de visto, fraude bancária e uso de identidade falsa. Washington também apresentou pedido de extradição.
A decisão do governo Lula de publicar a portaria de expulsão com orientação à Rússia, e não de processar a extradição para os EUA, é o ponto que provocou a reação americana no discurso desta semana inicial de julho. Cherkasov admitiu no processo brasílio ter se pretérito por brasílio. Negou ser espião. A Rússia nunca confirmou oficialmente sua relação com o GRU.
O sinal mais próximo de uma recepção veio em agosto de 2024, quando outro suposto espião identificado na mesma rede, Mikhail Mikushin, foi incluído em um negócio de troca de prisioneiros entre Rússia e Estados Unidos.
Berçário de espiões
O caso de Cherkasov é o mais sabido de uma rede que a Polícia Federalista identificou porquê composta por pelo menos nove agentes russos que usaram documentos brasileiros porquê cobertura. A investigação, divulgada pelo New York Times e confirmada pela PF em maio de 2025, apontou que o Brasil era usado sistematicamente pelo GRU porquê plataforma para produzir identidades confiáveis e permitir a atuação de agentes nos Estados Unidos, na Europa e no Oriente Médio.
Dois fatores tornaram o Brasil encantador para essa finalidade: a relativa facilidade de obter uma certificado de promanação fraudulenta e a boa receptividade do passaporte brasílio em países ocidentais, que permite circunvalar por dezenas de destinos sem o nível de escrutínio que um documento russo enfrentaria.
Mikhail Mikushin vivia porquê José de Assis Giammaria e foi recluso na Noruega em novembro de 2022, infiltrado em uma universidade na região do Ártico. Artem Shmyrev operava porquê Gerhard Daniel Campos e deixou o Brasil antes de uma operação da PF. Outros integrantes da rede atuavam porquê empresário de joias em Brasília e porquê padrão. Dos nove identificados, exclusivamente Cherkasov permanece em solo brasílio.
https://www.conexaopolitica.com.br/internacional/assunto-do-momento-quem-e-o-russo-preso-em-brasilia-e-o-que-se-sabe-ate-agora//Nascente/Créditos -> CONEXÃO POLÍTICA
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