Uma das passagens mais chamativas, depois de traduzida, diz: “… ele morreu… // e não (?)… [a morte o] tragou, embora antes, injustamente… [apenas / sozinho] aquele que desceu, subiu/ascendeu de novo…”.
Os pesquisadores acreditam que, depois da vocábulo “desceu”, estaria escrito “para Hades”, o reino dos mortos helênico. Eles escreveram: “O sentido da passagem é provavelmente o de que somente Jesus, e ninguém mais, entrou no Hades e retornou por meio de sua ressurreição”.
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Segundo a tradição, Jesus teria entrado no mundo dos mortos antes da ressurreição e libertado aqueles que morreram antes dele.
Verificação com outros textos cristãos
A teoria é reforçada quando o miga é comparado a outros textos cristãos, uma vez que passagens atribuídas a Eusebius, que descrevem a descida do “Salvador” até as regiões da morte. Em uma delas, o jornalista cristão descreve o Salvador descendo sozinho a essas regiões. O trecho se assemelha à referência do miga a uma figura solitária que “desceu”.
O manuscrito, no entanto, não preserva uma narrativa ininterrupta de um túmulo vazio nem de Jesus aparecendo vivo aos discípulos.
Outra versão verosímil
Há uma segunda teoria, considerada menos poderoso. Segundo ela, a passagem se refere à descida de Jesus do firmamento para viver uma vez que ser humano, e não à ingressão no reino dos mortos.
A secção da frente parece oferecer uma forma de “orientação moral”. O texto se dirige ao leitor uma vez que um “andarilho” e alerta contra seguir o “caminho largo” na esperança de sobreviver.
Migalha vasqueiro de 5 cm mantido na Áustria é decifrado por gregos e revelaria texto cristão inédito sobre o retorno do submundo — Foto: Amphilochios Papathomas/Marianna Thoma
Origem, datação e natureza do texto
A pesquisa foi publicada no jornal “Tyche” e examinou o miga catalogado uma vez que P.Vindob. G 29289, um pedaço de papiro helênico da Antiguidade Tardia. Os autores acreditam que ele veio da região de Fayum ou de Hermópolis, no Egito, mas o catálogo da livraria não traz uma origem precisa. Thoma e Papathomas compararam a escrita e a linguagem com as de outros manuscritos antigos e escritos cristãos.
Os pesquisadores não conseguiram fazer datação por radiocarbono. Deduziram a idade do papiro por verificação com outras obras e o situaram entre os séculos IV e V. Isso o coloca centenas de anos depois a crucificação, mas dentro do contexto do mundo cristão velho.
A equipe acredita que a passagem fazia secção de um livro cristão que não sobreviveu às inúmeras cópias medievais e não chegou ao tempo moderno. Os autores sugeriram que o texto poderia preservar um sermão, possivelmente escrito por um padre da igreja ou por um líder religioso egípcio. Um hino ou outra formação religiosa também seria verosímil.
Os pesquisadores esperam que esta primeira publicação acadêmica ajude outros especialistas a identificar a obra original ou a localizar mais fragmentos do mesmo papiro.
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https://www.contrafatos.com.br/cientistas-decifram-papiro-de-1-600-anos-que-narra-a-descida-de-jesus-ao-inferno-e-ressurreicao//Manancial/Créditos -> CONTRA FATOS
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