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“Ele guardou 20 bi no exterior e não consegue ir lá, não consegue gastar, não consegue pegar. Porque se pegar, é recluso de novo”, disse Fabiano Zettel, em gravação recuperada pela PF.
A véspera da liquidação e a prisão em Guarulhos
Em 17 de novembro, Daniel Vorcaro foi recluso pela Polícia Federalista à noite, no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava embarcar para Dubai. Horas antes da detenção, ele havia se reunido com o presidente do Banco Medial, Gabriel Galípolo, para apresentar um projecto de venda do Master para a Fictor. De congraçamento com a reportagem, a empresa não possuía capital nem patrimônio líquido suficientes para concretizar a obtenção. Vorcaro também informou que secção dos recursos para a compra viria de um investidor dos Emirados Árabes e que precisaria viajar a Dubai para negociar o aporte.
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No dia seguinte, 18 de novembro, o Banco Medial decretou a liquidação do Banco Master. Doze dias depois de ser recluso, Vorcaro teve a prisão preventiva revogada. Porém, em março deste ano, voltou a ser represado na mesma operação — a Operação Compliance Zero — que também resultou na prisão de Zettel.
Terror do bloqueio de bens e verba escondido
Semanas antes da enunciação sobre os “20 bi”, Zettel já demonstrava inquietação com o tramontana do banco. Em outubro, conforme as gravações indicam, ele viajou ao exterior e depois contou a Marina que havia escondido verba, temendo o bloqueio de seus bens caso o Master fosse liquidado.
“Eu fui lá, escondi um verba, porque se der tudo incorrecto e der uma m* danada e tudo meu for bloqueado, eu tenho que ter um verba pra poder continuar vivendo e mantendo as coisas”, disse Fabiano Zettel.
Na véspera da liquidação, Zettel estava em um voo de Brasília para São Paulo junto com Vorcaro. Ele enviou um áudio a Marina relatando que ambos aguardavam os desdobramentos. “Graças a Deus, a gente achou que ia estourar um tanto de ruim, mas hoje não estourou zero”, afirmou. No dia seguinte, veio a decisão do Banco Medial.
Telefones apreendidos e contas bloqueadas
Depois a prisão do banqueiro, Zettel relatou a Marina que policiais haviam apreendido telefones e equipamentos e que contas e bens estavam bloqueados. Ele revelou que mantinha um telefone escondido em um divisão do sege e que tomava “todo o zelo do mundo”. Nos dias que se seguiram, passou a visitar Vorcaro e a seguir de perto a situação jurídica do cunhado.
As conversas também expõem uma relação tensa entre os dois. Zettel descrevia Vorcaro uma vez que alguém que agia impulsivamente e “esticava demais a corda”, arriscando os negócios. Apesar disso, permanecia disponível para executar pagamentos, organizar documentos e atender demandas do ex-banqueiro.
Sem verba para remunerar advogados
Pelas gravações, Zettel afirmava que a situação de Vorcaro havia se deteriorado tanto que faltava verba até para honorários advocatícios. Ele também relatava que bancos cortaram o crédito e que contas da família foram encerradas.
Conforme apuração da revista Piauí, as autoridades haviam localizado, até aquele momento, tapume de R$ 2 bilhões em imóveis e outros bens vinculados a Vorcaro, destinados ao ressarcimento de credores prejudicados pela quebra do Master. Outrossim, foi identificado um fundo não dito pelo ex-banqueiro com ativos estimados na mansão do bilhão.
Pagamentos, filme de Bolsonaro e o núcleo chamado “A Turma”
As mensagens analisadas mostram que Zettel desempenhava papel ativo na operacionalização de pagamentos ligados ao grupo de Vorcaro. Ele recebia cobranças, solicitava recursos ao ex-banqueiro e efetuava os pagamentos autorizados por ele.
Entre as transações mencionadas estão parcelas depositadas a pedido de Flavio Bolsonaro (PL), candidato à presidência da República, para o filme Dark Horse, cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Há também repasses direcionados a advogados, auxiliares e outros personagens que aparecem nas investigações sobre o caso Master.
Zettel aparece também vinculado a empresas e fundos envolvidos em negócios atualmente sob investigação. Ele era o único proprietário do fundo Leal, que controlava o Arleen, utilizado na obtenção de participação no resort Tayayá. Também era responsável por remunerar os serviços de Luiz Philippi Mourão, sabido uma vez que Sicário, assinalado pelos investigadores uma vez que integrante de um núcleo de monitoramento, obtenção de informações sigilosas, filtração e intimidação, chamado de A Turma.
Tentativa de desvinculação e situação atual
Depois da prisão de Vorcaro, Zettel passou a buscar se distanciar das atividades do cunhado. Alegava ter deixado o Banco Master em 2024 e que empresas uma vez que a Moriah Investimentos eram negócios próprios. No entanto, as mensagens indicariam que Vorcaro seguia autorizando pagamentos e tomando decisões relacionadas a essas empresas.
Tanto Daniel Vorcaro quanto Fabiano Zettel permanecem detidos. Vorcaro tenta negociar um congraçamento de delação premiada, mas até o momento não teria revelado o caminho dos recursos mantidos no exterior.
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https://www.contrafatos.com.br/cunhado-de-daniel-vorcaro-revela-que-ex-dono-do-banco-master-escondeu-r-20-bilhoes-no-exterior//Manadeira/Créditos -> CONTRA FATOS
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