Mensagens encontradas pela PF revelam grupo no WhatsApp entre Daniel Vorcaro e servidores do Banco Medial para monitorar fiscalização do Master
Por ContraFatos 18/08/2026 Atualizado em 18/08/2026
Mensagens extraídas do celular do banqueiro revelam fala com funcionários do BC para evitar liquidação
Conversas obtidas pela Polícia Federalista no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, expõem a existência de um grupo no WhatsApp onde ele e dois servidores do Banco Medial coordenavam estratégias para proteger a instituição financeira. As informações foram divulgadas pelo portal UOL.
Quem participava do grupo e o que era discutido
O grupo, batizado de “Master”, era constituído por três integrantes: o próprio Vorcaro, Belline Santana, logo patrão do departamento de supervisão bancária do BC, e Paulo Sérgio Neves de Souza, chefe-adjunto do mesmo setor. De tratado com a PF, o trio utilizava o meio para combinar táticas de pressão, compartilhar documentos e traçar meios de impedir a decretação da liquidação do Banco Master, que acabou ocorrendo em novembro de 2025.
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Geração do grupo e movimentações às vésperas da liquidação
Santana criou o grupo em 2 de outubro de 2025, exatos 47 dias antes da liquidação do Master. Na ocasião, Vorcaro escreveu: “Criei esse grupo, no intuito de facilitar nossa interlocução”. Nas semanas que se seguiram, os servidores ajudaram a revisar ofícios que o banco enviaria ao próprio Banco Medial e ao Fundo Garantidor de Créditos. Também agendaram reuniões e trocaram impressões sobre a postura de colegas envolvidos em decisões internas.
Vorcaro alegava ter outros contatos dentro do BC
Em 30 de outubro, Vorcaro informou ao grupo que havia recebido dados de “pessoas de dentro do Bacen que são meus amigos” sobre a “pressão máxima” de autoridades para adotar uma medida em relação ao Master. O relacionamento entre o banqueiro e os servidores não era recente — com Neves de Souza, o vínculo existia desde 2019, e com Santana, desde 2023.
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Jogo duplo dos servidores dentro do Banco Medial
A estudo das mensagens pela Polícia Federalista revelou ainda que Santana e Neves de Souza praticavam um “jogo duplo” dentro da autonomia. Enquanto atendiam aos interesses do banqueiro, os dois servidores também tramitavam denúncias que serviram de base para as próprias investigações da PF. O Banco Medial afastou ambos em janeiro deste ano. As autoridades suspeitam que eles tenham recebido vantagens financeiras em troca de proporcionar Vorcaro.
Orientação direta ao banqueiro
Em 17 de fevereiro de 2025, Neves de Souza avisou Vorcaro que ele havia derribado no radar da fiscalização. Esse tipo de orientação evidencia, segundo os investigadores, o intensidade de comprometimento dos servidores com os interesses privados do ex-controlador do Banco Master.
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