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Os números são eloquentes. E brutais.
Em 2024, o rombo foi de R$ 2,6 bilhões — já considerado cimeira. Em 2025, o prejuízo triplicou: R$ 8,5 bilhões. Para 2026, mesmo com medidas de contenção, a expectativa é de um buraco próximo de R$ 10 bilhões. Só no primeiro trimestre deste ano, o prejuízo foi de R$ 3,1 bilhões — 80% maior que o do mesmo período do ano pretérito.
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Releia esses números. Agora lembre que estamos falando de uma empresa que o governo se recusou a privatizar.
O primeiro PDV de 2026, cândido em fevereiro e encerrado em março, foi um fracasso soturno. A expectativa era de 10 milénio adesões. Somente 3 milénio funcionários aceitaram trespassar. Mesmo assim, a direção comemorou ter apanhado “secção relevante da economia projetada”. É o tipo de eufemismo que só o setor público consegue pronunciar com rosto séria.
Para a novidade rodada, a indenização será menor e terá um teto de pagamento ainda em definição. Ou seja: menos incentivo para trespassar, em uma empresa que sangra bilhões. E se o programa não funcionar? A governo já avisou: demissões não estão descartadas.
As regras finais estão nas mãos da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais, ligada ao Ministério da Gestão e da Inovação. Mais uma categoria burocrática decidindo o orientação de uma estatal que deveria ter sido entregue ao mercado há anos.
O governo federalista projeta que os Correios poderão voltar ao estabilidade financeiro em 2027. O projecto combina galanteio de despesas com ampliação de receitas por meio de parcerias com a iniciativa privada.
Parcerias com a iniciativa privada. Leia de novo.
O governo reconhece que precisa do setor privado para salvar uma empresa que ele insiste em manter pública. A incongruência é tão gritante que dispensa observação — mas merece um.
Se a iniciativa privada é indispensável para gerar receita, por que não entregar o negócio inteiro a quem sabe operá-lo? A resposta, evidente, não é econômica. É política. Estatais são cabides. Cabides não se privatizam — se protegem.
Enquanto isso, o tributário financia a agonia. Dez bilhões de reais em prejuízo não surgem do zero. Saem do bolso de quem paga imposto, de quem não tem lobby em Brasília, de quem não tem sindicato possante nem função comissionado.
A pergunta que fica é simples: quantos PDVs, quantos bilhões em prejuízo e quantas agências fechadas serão necessários até que alguém tenha a coragem de proferir o óbvio?
Os Correios não precisam de renovação. Precisam de um possuinte que tenha um pouco a perder.
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https://www.contrafatos.com.br/correios-a-estatal-que-engole-bilhoes-prepara-mais-um-pdv-para-tentar-sobreviver//Manancial/Créditos -> CONTRA FATOS
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