O Superior Tribunal de Justiça (STJ), já envolvido em investigações sobre venda de sentenças, lida agora com o agravamento de graves denúncias de assédio sexual contra o ministro Marco Buzzi.
O magistrado é cândido de apuração interna no STJ, de um procedimento no Juízo Vernáculo de Justiça (CNJ) e de um questionário criminal autorizado pelo ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federalista (STF). Marco Buzzi nega todas as acusações.
Um potente revés na resguardo do ministro ocorreu com o vazamento do prova de uma ex-assessora, publicado pelo Radar, da Revista Veja. O relato, colhido no dia 9 de fevereiro em uma audiência por vídeo no CNJ — acompanhada por advogados e um representante do Ministério Público —, detalha episódios de violação, constrangimento e violência verbal dentro do envolvente de trabalho.
A dinâmica dos abusos no gabinete
A ex-assessora (que teve a identidade preservada) descreveu porquê o ministro criava situações para permanecer sozinho com ela, aproveitando-se do roupa de que ela era a primeira funcionária a chegar e transfixar o gabinete pela manhã, permanecendo sozinha por murado de duas horas.
Em seu prova, ela relatou o primeiro incidente:
“O ministro chegou, eu estava sozinha no gabinete, ele me chamou até a sala dele e relatou que gostaria de organizar a livraria. […] Em seguida ele colocar de volta o livro na estante, a mão dele passou sobre o meu bumbum. Eu rapidamente já me esquivei, achando que foi um contato casual, mas lá no fundo, eu já senti que não era.”
A denúncia aponta que a situação rapidamente escalou para ações mais incisivas e agressivas:
“Ele pediu para eu ir até a dispensa e olhar o que a gente guardava lá. Quando eu fui transfixar as portas do armário ele já estava detrás de mim colocando a mão no meu peito. Eu tentei agir de uma forma que me tirasse daquela situação.”
A servidora detalhou também situações de constrangimento com força física. Segundo o relato, durante um pedido para conectar um pen drive ao computador, o ministro aproveitou a proximidade.
“Ele se aproveitou para passar a mão de novo na minha bunda, só que dessa vez ele apertou e eu segurei a mão dele. Ele fez força e eu precisei usar das minhas duas mãos para tentar sustar ele. Quando ele percebeu o que estava acontecendo, começou a me pedir desculpa.”
Em outro momento, ainda mais grave, a vítima afirma ter sofrido um tapa:
“Na hora de retornar para a secretaria, ele pediu: ‘pode ir na frente’. Eu fui e ele literalmente estapeou minha bunda com força. Eu só saí correndo. Foi o dia que eu mais me senti violada porquê um bicho.”
Assédio moral, insinuações e humilhação
A ex-funcionária também expôs comentários impróprios sobre o seu corpo e o constrangimento de ter sido exposta a imagens íntimas no celular do magistrado. De congraçamento com o prova, Buzzi apontou o celular para ela questionando se era ela na imagem — que exibia uma mulher de calcinha.
Além do assédio sexual, a denúncia engloba assédio moral severo, envolvendo gritos, xingamentos e ameaças de destituição sem justa motivo. O prova narra um incidente em que o ministro, irritado por não ter sido avisado sobre uma audiência trabalhista, teria descarregado a fúria na servidora:
“Ele já levantou da mesa dele para me invocar de incompetente, me invocar de burra: ‘A senhora é uma incompetente, a senhora é uma burra. Eu sou um ministro muito bonzinho, mas para eu te dar um pé na bunda é daqui para ali. E pega as suas tralhas e vai embora’.”
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