A resguardo pública feita pelo presidente do Banco Médio, Gabriel Galípolo, ao ex-presidente da autonomia Roberto Campos Neto provocou desconforto no Palácio do Planalto. Durante prova no Senado na quarta-feira, 8 de abril, Galípolo afirmou categoricamente que não existem evidências que responsabilizem Campos Neto pelo colapso do Banco Master.
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O caso Master gerou um rombo superior a R$ 50 bilhões e se transformou em peça medial da estratégia política do PT para vincular escândalos financeiros ao período da gestão Bolsonaro. A posição técnica do atual presidente do BC, no entanto, desestabilizou essa narrativa cuidadosamente construída pela base governista.
Irritação no Planalto com posicionamento técnico
Em sessão no Congresso Pátrio, Galípolo declarou aos senadores: “não há, em nenhum processo de auditoria ou de sindicância, zero que encontre qualquer culpa por secção do ex-presidente Roberto Campos Neto. Consigo relatar cá o que está nos autos”.
A resposta técnica contrariou diretamente a risco política adotada pelo núcleo governamental. Reuniões estratégicas envolvendo a Quinta, Moradia Social e Secretaria de Notícia haviam definido que o escândalo deveria ser associado ao governo anterior. Militantes petistas chegaram a gerar o termo “Bolsomaster” para substanciar a conexão com o senador Flávio Bolsonaro, considerado principal justador eleitoral de Lula em 2026.
Críticas públicas de lideranças petistas
O senador Lindbergh Farias não poupou críticas ao posicionamento de Galípolo. “Gabriel Galípolo escolheu o caminho de tentar blindar Roberto Campos Neto. Ao declarar que não existe auditoria, sindicância ou epílogo interna que aponte responsabilidade do ex-presidente do Banco Médio, ele demonstra que o controle interno é insuficiente e pode servir de escudo para proteger quem comandava a instituição quando decisões e omissões favoreceram o envolvente em que o caso Master prosperou”, declarou o parlamentar.
Histórico de atritos entre Lula e Galípolo
As tensões entre o presidente da República e o comandante do Banco Médio não são recentes. Em março deste ano, Lula manifestou publicamente sua “tristeza” e “frustração” com a decisão do Comitê de Política Monetária de reduzir os juros básicos em somente 0,25 ponto percentual, mantendo a taxa em 14,75% ao ano.
Nos corredores do Planalto, integrantes do governo acusam Galípolo de adotar posturas para “aprazer” ao mercado financeiro, já pensando em um eventual retorno ao setor privado depois o término de seu procuração em dezembro de 2028.
Risco à autonomia institucional do BC
Indicado por Lula em 2024 por recomendação do portanto ministro Fernando Haddad, Galípolo acumula o rótulo de “desengano” entre correligionários petistas, segundo fontes próximas ao governo.
Assessores do presidente do Banco Médio garantem, conforme reportagem do Estadão, que ele não se curvará a “retaliações” políticas e manterá o “trabalho técnico” da instituição, evitando colocá-la no núcleo das disputas eleitorais.
Prenúncio à PEC da autonomia orçamentária
A principal preocupação dos técnicos do BC envolve possíveis represálias institucionais. O governo federalista possui instrumentos para dificultar a aprovação da PEC da autonomia orçamentária do Banco Médio, proposta que tramita na Percentagem de Constituição e Justiça do Senado.
Caso seja bloqueada, a medida reduziria significativamente a margem de manobra financeira da autonomia, representando uma forma indireta de pressão do Planalto sobre a instituição sem confronto direto com sua independência lícito.
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