PF aponta mensagens sobre propostas envolvendo Roberta Rangel em dois casos ligados ao ex-banqueiro
Mensagens encontradas pela Polícia Federalista indicam que Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, enviou propostas para contratar a advogada Roberta Rangel, ex-mulher do ministro Dias Toffoli, para atuar em processos de seu interesse.
A informação foi revelada pela jornalista Malu Gaspar, em reportagem publicada no jornal O Orbe neste sábado, 14. O teor integra relatório de aproximadamente 200 páginas guiado ao presidente do Supremo Tribunal Federalista (STF), Luiz Edson Fachin.
Segundo a PF, os registros extraídos do celular de Vorcaro mencionam tratativas relacionadas a dois processos específicos.
Operação Fundo Fake
Um dos episódios citados é a Operação Fundo Fake, que investigou fraudes em fundos de pensão municipais. Em 2019, Vorcaro chegou a ter a prisão decretada, mas a decisão foi posteriormente revogada pelo Tribunal Regional Federalista da 1ª Região (TRF-1).
Conforme o relatório, em 16 de dezembro de 2020, o ex-banqueiro enviou ao jurisperito Walfrido Warde um print com minuta de contrato para que Roberta atuasse no caso. Naquele período, ela ainda era casada com Toffoli.
ADC 81 no STF
O segundo caso envolve a Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) 81, protocolada no STF em 2022. A ação discutia restrições impostas pelo Ministério da Instrução à fenda de cursos de medicina.
Em 21 de setembro daquele ano, Vorcaro teria guiado novidade minuta de contrato relacionada ao tema.
A ADC tinha impacto direto sobre a Ulbra, universidade de quem controle foi adquirido por Vorcaro em 2022, quando a instituição estava em recuperação judicial. A maior segmento da receita da universidade dependia dos cursos de medicina.
No julgamento, Toffoli acompanhou o ministro Gilmar Mendes para manter as limitações impostas pelo MEC, mas integrou a fluente que permitiu o funcionamento de cursos já autorizados por liminar ou em temporada avançada de estudo — situação que incluía unidades da Ulbra.
Roberta nega atuação direta
Roberta Rangel trabalhou no Warde Advogados entre fevereiro de 2021 e o termo de 2022. Ao jornal O Orbe, afirmou que não atuou efetivamente nos dois processos mencionados nas mensagens.
No caso da Operação Fundo Fake, declarou que pode ter constado em procuração para tutorar Vorcaro. Ela aparece uma vez que representante do ex-banqueiro em decisão do desembargador Néviton Guedes, do TRF-1.
Quanto à ADC 81, disse que somente subscreveu procuração a pedido de Walfrido Warde, representando a Associação Brasileira das Faculdades Independentes (Abrafi), e não o ex-banqueiro. Também afirmou que ações de controle concentrado não configuram hipótese de suspeição segundo a jurisprudência do STF.
Uso de aeroplano
O relatório ainda aponta que, em fevereiro de 2025, Vorcaro enviou mensagem a funcionário da empresa Prime You, responsável pela operação de suas aeronaves, autorizando que Roberta utilizasse um jatinho Embraer 500 Phenom 300 no trajeto Brasília–Ourinhos (SP), no sábado de Carnaval.
O aeroporto é o mais próximo do Tayayá Resort, no interno do Paraná, empreendimento do qual Toffoli era sócio. Roberta negou ter utilizado a aeroplano.
Revelação de Warde e posição de Toffoli
Walfrido Warde afirmou que o escritório realizou pesquisa interna e não encontrou registros das procurações mencionadas, além de declarar que não se recorda das mensagens citadas.
Toffoli, por sua vez, declarou que, desde que tomou posse no Supremo, comunicou formalmente seu impedimento para julgar processos ligados à ex-mulher. Acrescentou que eventual arguição de suspeição foi arquivada por unanimidade pelo plenário da Incisão.
Na quinta-feira, 12, o ministro deixou a relatoria do caso Master depois reunião reservada com outros integrantes do STF.As informações são da Revista Oeste.
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