Mais um capítulo doloroso se desenrola no rescaldo dos atos de 8 de janeiro. O ministro Alexandre de Moraes determinou a prisão imediata de Cristiane Angélica Dumont Araújo, de 59 anos, em seguida o fecho de todos os recursos de seu processo. A ordem de encarceramento, no entanto, carrega uma sombra de injustiça que foi apontada dentro da própria Suprema Namoro: o ministro Luiz Fux votou por sua indulto totalidade.
A Divergência que o Sistema Ignorou
Enquanto a maioria da Primeira Turma seguiu a risca dura de Moraes, Fux foi uma voz solitária de sensatez. Em seu voto, ele desmontou a narrativa de “golpismo” atribuída a Cristiane. O ministro destacou que não havia qualquer imagem ou prova dela depredando, incendiando ou destruindo patrimônio público.
Pelo contrário, o que as evidências mostravam era uma mulher de quase 60 anos rezando. Um policial legislativo confirmou em testemunho que Cristiane estava no plenário do Senado em reza, ao lado de outros manifestantes, num momento de fé e não de fúria.
Fugindo das Bombas
A resguardo sustentou — e Fux concordou — que a ingressão de Cristiane no prédio foi uma tentativa desesperada de se proteger das bombas de efeito moral lançadas pela polícia do lado de fora. “Em verdade, todas as provas convergem para a versão apresentada pela resguardo (…) sem praticar violência”, cravou Fux.
A Mão de Ferro de Moraes
Para Alexandre de Moraes, no entanto, rezar e se proteger não foram justificativas suficientes. Ele argumentou que o simples veste de ela estar no lugar, filmar e proferir palavras de ordem uma vez que “a nossa bandeira não será vermelha” já configuraria transgressão grave. O resultado? Uma pena brutal de 14 anos de reclusão para uma senhora que, segundo um dos ministros da própria galanteio, deveria ser livre.
A prisão de Cristiane reforça o temor de que a justiça em Brasília tenha se tornado seletiva e vingativa, ignorando até mesmo os apelos de seus pares por moderação e estudo técnica das provas.
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