Relatório aponta falhas deliberadas em controles e transações de câmbio com criptoativos entre 2018 e 2021
A Polícia Federalista investiga operações de câmbio que somam R$ 2,8 bilhões envolvendo o Banco Master e a empresa One World Services (OWS). As remessas ocorreram entre dezembro de 2018 e abril de 2021, período em que a instituição financeira ainda operava porquê Banco Máxima, segundo revelou a Folha de S.Paulo.
As transferências tiveram porquê justificativa o aumento de capital de uma offshore da OWS em Miami. A empresa é investigada por suspeitas de lavagem de numerário para o PCC e para o Hezbollah.
Compras de bitcoins e falhas de compliance
De entendimento com a PF, a OWS — especializada em venda direta de criptoativos fora de plataformas tradicionais — adquiriu bitcoins para pessoas condenadas por lavagem de numerário. As operações teriam sido realizadas por meio de contas mantidas no Banco Master sem a apresentação integral da documentação exigida à quadra pelo Banco Médio.
Embora tenham sido registradas 331 operações, exclusivamente 15 atas societárias foram entregues, o que, segundo os investigadores, violou regras de controle e de tributação. O relatório afirma que as instituições apuradas “de forma deliberada fecharam os olhos para a veras de seus clientes”.
Fraudes documentais e impacto tributário
As apurações, com desdobramentos desde a Operação Colossus, acompanham movimentações que chegam a R$ 60 bilhões, sendo R$ 8 bilhões exclusivamente em câmbio. Documentos analisados indicaram indícios de fraude, porquê atas geradas no mesmo dia ou com poucos minutos de diferença.
A finalidade declarada das remessas permitiu a incidência de IOF de 0,38%, subalterno aos 1,1% exigidos para compra de ativos no exterior, conforme avaliação do Banco Médio. Depois receber as informações da PF, o BC abriu investigação própria.
Em nota à Folha de S.Paulo, o Banco Master informou que “as apurações sobre esse tema foram objeto de entendimento firmado com o BC, que encerrou o caso no contextura administrativo, sem reconhecimento de irregularidade”. O valor da multa aplicada não foi divulgado.
Mudança regulatória e atuação da OWS
Em dezembro de 2022, o Banco Médio eliminou a obrigatoriedade de apresentação de documentação para justificar operações internacionais de câmbio, medida que visava simplificar procedimentos. A exigência era utilizada pela PF porquê instrumento para detectar ilícitos e foi citada porquê um dos fundamentos do termo de compromisso firmado com a poder monetária.
A OWS é controlada por José Eduardo Froes Junior e seus irmãos e atua no padrão OTC (“sobre o balcão”), com menor nível de intermediação e regulação. As investigações indicam que a empresa operou para companhias ligadas a pessoas associadas a terrorismo e ao tráfico internacional de drogas.
“Criptoboy”, pena e fluxos suspeitos
Entre os citados está o corretor de criptoativos Dante Felipini, espargido porquê “criptoboy”, que teria enviado mais de R$ 700 milhões à OWS. Réprobo em 2025 a 17 anos de prisão por lavagem de numerário e associação criminosa, Felipini adquiriu bitcoins para um “laranja premeditado” ligado a uma liderança do PCC, segundo a PF.
Mensagens interceptadas indicam que a Makes Exchange, de Felipini, transferiu valores para carteiras de criptomoedas sancionadas por Israel por vínculos com o Hezbollah. A resguardo sustenta que a delação de financiamento ao terrorismo foi derrubada e que outros pontos da sentença ainda estão em estudo.
Felipini foi recluso em janeiro de 2024 ao tentar embarcar para Dubai, onde vivia desde 2022 e mantinha uma offshore autorizada a negociar criptoativos. A PF identificou ao menos outras sete empresas que movimentaram valores milionários com a OWS.
Decisões judiciais e reação do sistema bancário
O juiz federalista Diego Paes Moreira rejeitou pedidos de prisão e bloqueio de bens contra Froes Junior, citando exiguidade de provas de que ele conhecia a origem ilícita dos recursos.
À quadra dos fatos, havia resistência do setor bancário em operar com criptoativos. Conforme os autos, Banco Topázio e MS Bank romperam relações com a OWS depois consulta ao Banco Médio. Já o UBS, da Suíça, recusou penetrar conta para Froes Junior em razão da origem dos recursos.
Desde o termo de 2025, o Banco Médio passou a exigir que operações de câmbio envolvendo criptoativos sigam as mesmas normas aplicáveis às demais casas de câmbio, ampliando a fiscalização e a regulação do setor.
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