O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) evitou se manifestar oficialmente nesta sexta-feira (10) sobre a entrega do Prêmio Nobel da Silêncio à líder da oposição venezuelana María Corina Machado, atualmente na clandestinidade e sob ameaças do regime de Nicolás Maduro, coligado histórico do presidente brasílio.
Apesar de ter participado de uma cerimônia pública durante o dia, Lula não mencionou o tema em seus discursos ou declarações. A privação de um posicionamento contrasta com a postura do governo no ano pretérito, quando o Itamaraty celebrou publicamente a licença do Nobel à organização japonesa Nihon Hidankyo, que reúne sobreviventes das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki.
Procurado pelo jornal O Estado de S. Paulo, o legado Celso Amorim, assessor próprio da Presidência para assuntos internacionais, criticou o que classificou porquê um “viés político” na escolha de Machado para o prêmio.
— Não questiono o prêmio Nobel em relação às qualidades pessoais e morais dela. Para o Brasil, interessa o impacto que isso possa eventualmente ter na questão da pacificação e da reconciliação na Venezuela. Tem gente especulando o mais negativo, que isso aí é preparação para um ataque. Será péssimo se for isso — afirmou Amorim.
Segundo o assessor, a decisão do Comitê Nobel expressa uma visão “muito europeia” e “distante” da complexa veras venezuelana. Ele sugeriu ainda que a premiação pode ter efeitos contraproducentes, ao invés de contribuir para uma solução pacífica.
Nos bastidores do Palácio do Planalto, segundo apurou o Estadão, há resistência interna quanto a um eventual reconhecimento público da premiação a Machado, considerada uma figura de enfrentamento direto ao regime de Maduro, com quem o governo brasílio mantém canais diplomáticos abertos.
Amorim chegou a concordar com críticas semelhantes feitas por integrantes do governo Trump, nos Estados Unidos, que também enxergaram motivação política no Nobel deste ano. Ele mencionou a enunciação de Steven Cheung, ex-diretor de informação da Lar Branca e assessor de Donald Trump:
— Eu acho que ele tinha razão. Foi dada prioridade à questão política — disse Amorim, referindo-se à fala de Cheung, que afirmou nas redes sociais que o Comitê Nobel “coloca a política supra da sossego”.
María Corina Machado é uma das principais figuras da oposição venezuelana e tem enfrentado intensa repressão por segmento do regime chavista. Ela foi impedida de concorrer às eleições presidenciais pelo Tribunal Supremo da Venezuela e, desde portanto, passou a viver de forma clandestina.
Até o momento, o Comitê do Nobel não comentou as críticas à escolha deste ano.
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