Milhões de católicos se reuniram nesta quinta-feira (19), feriado de Corpus Christi, para participar das celebrações que tomaram conta de ruas, praças e igrejas em todo o Brasil. Uma das tradições mais pontuais da data — a confecção de tapetes religiosos — foi mantida com muito temor por fiéis de diversas idades e regiões, reforçando o caráter simbólico, místico e comunitário da solenidade.
Na capital federalista, a Esplanada dos Ministérios se transformou em um grande galeria de fé. Desde as primeiras horas da manhã, grupos da Arquidiocese de Brasília iniciaram a montagem dos tapetes, que exibiam ilustrações alusivas a pontos centrais do catolicismo, porquê o sacramento da Eucaristia, o “coração eucarístico” contornado por espinhos (em referência à paixão de Cristo), cruzes, cálices, cordeiros, hóstias consagradas e a imagem de Nossa Senhora Aparecida.
Em cidades porquê Natal (RN), a dedicação também foi intensa. Na Paróquia Nossa Senhora da Candelária, mais de 40 pessoas se envolveram na montagem dos tapetes ao longo de dois dias. Os desenhos, elaborados com zelo e devoção, incluíram representações de passagens bíblicas, ícones litúrgicos e símbolos cristãos, seguindo uma programação organizada que culminou com missas, procissões e bênçãos comunitárias.
Tradição de Corpus Christi
A tradição de confeccionar os tapetes teve origem em Portugal e foi incorporada ao Brasil no período colonial. Inspirada na ingresso triunfal de Jesus em Jerusalém — quando os fiéis cobriram seu caminho com ramos e mantos, conforme relatado no Domingo de Ramos —, a prática foi adaptada para as celebrações de Corpus Christi, que em latim significa “Corpo de Cristo”. A solenidade é considerada uma das mais importantes do calendário litúrgico da Igreja Católica, por remeter à presença real de Cristo na Eucaristia.
As obras, que costumam medir murado de 5 metros de comprimento por 4 de largura, são feitas com diversos materiais: serragem colorida, sal tingido, areia, flores, cascas de ovo, tampinhas plásticas, pó de moca e até borra de moca. Os elementos utilizados variam conforme a originalidade e disponibilidade dos participantes, mas todos têm porquê objetivo homenagear a passagem do Santíssimo Sacramento.
Durante a procissão, o sacerdote conduz a hóstia consagrada em um ostensório — objeto litúrgico usado para a exposição e culto do Santíssimo —, e os tapetes só são percorridos posteriormente sua passagem, porquê forma de saudação e reverência. Essa é, inclusive, a única procissão do calendário católico em que o Santíssimo Sacramento é levado pelas ruas, simbolizando a presença de Cristo fora do templo, junto ao povo.
A preparação dos tapetes começa frequentemente durante a madrugada, envolvendo famílias inteiras, crianças, jovens, idosos e integrantes de comunidades e movimentos religiosos. Para além da frase artística e devocional, o momento se torna também um espaço de convívio e cooperação, com rezas, cânticos e um possante tino de pertencimento coletivo.
Em todo o país, as dioceses mobilizaram os fiéis para participar das programações locais, que incluíram missas solenes, culto ao Santíssimo e procissões em horários variados. Cada região adaptou suas celebrações às tradições locais, mas todas mantiveram o mesmo espírito de fé, unidade e culto.
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