O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), onde a magistrada atuava, emitiu nota assinada pelo desembargador Eduardo Uhlein, presidente da Galanteio. O documento repudia “com totalidade veemência e indignação a charge publicada pela cartunista Marília Marz no jornal Folha de S. Paulo na edição deste sábado”.
O transmitido reconhece que “a prensa tem usado de sua liberdade para noticiar e criticar o que considera excessos no Poder Judiciário brasílico, em seu papel de inspeccionar o ente público, porém revela totalidade falta de sensibilidade ao possibilitar que o tema seja relacionado à recente morte da Juíza Mariana Francisco Ferreira”.
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Na avaliação do tribunal gaúcho, as questões não deveriam ter sido misturadas: “São duas dimensões distintas – a sátira generalizada contra supostos excessos atribuídos à magistratura e a trágica perda de uma vida jovem – que, com um mínimo de humanidade e empatia, nunca poderiam ser associadas no atual contexto”.
A nota classificou a atitude do jornal uma vez que “tamanha malícia”, afirmando que a publicação “provoca dor ainda maior em uma família enlutada e enche de indignação a magistratura do Rio Grande do Sul”.
Tribunal de Santa Catarina condena “ataques generalizados à magistratura”
O Tribunal de Justiça de Santa Catarina também se posicionou publicamente. Em nota divulgada nas redes sociais, a Galanteio catarinense expressou repúdio ao teor e acusou a Folha de S.Paulo de promover “ataques generalizados à magistratura”.
O tribunal ponderou: “A liberdade de prensa e de sentença são pilares do Estado Democrático de Recta, que oriente Tribunal defende de forma intransigente. Mas, tais liberdades não se confundem com ofensas gratuitas a instituições e a seus membros, sobretudo em momento de luto e dor”.
Outrossim, a Galanteio declarou solidariedade à família da juíza, ao TJRS e a toda a magistratura brasileira, reafirmando seu “compromisso com a independência judicial, com o diálogo respeitoso e com a resguardo intransigente da pundonor da função jurisdicional”.
TJPA e TRF-1 engrossam o coro de críticas
Na região Setentrião, o Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) adotou tom semelhante ao se manifestar sobre o incidente. A Galanteio paraense destacou seu compromisso “com a resguardo da pundonor humana, do reverência institucional e da valorização da magistratura, repudiando qualquer sintoma que banalize a dor, o luto e a memória de uma vida precocemente interrompida”.
No contextura federalista, o Tribunal Regional Federalista da 1ª Região (TRF-1), cuja jurisdição abrange 12 estados e o Região Federalista, também criticou a postura do jornal. Segundo a nota do TRF-1, a charge “ultrapassou os limites da sátira institucional legítima ao recorrer a representação simbólica que, no contexto em que divulgada, produziu compreensível indignação e sofrimento”.
O tribunal federalista ainda destacou que “a liberdade de sentença não se enfraquece pela observância da urbanidade; ao contrário, fortalece-se quando exercida com prudência, humanidade e consciência de suas repercussões sociais”.
Charge da Folha e a juíza que morreu depois complicações Foto: Reprodução/Folha de S.Paulo // Reprodução/Registro Pessoal
Por termo, o TRF-1 reiterou “sua solidariedade à família da magistrada Mariana Francisco Ferreira, ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul e a todas as magistradas e magistrados que se sentiram atingidos pela publicação”.
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https://www.contrafatos.com.br/charge-da-folha-apos-morte-de-juiza-gaucha-gera-revolta-e-e-acusada-de-deboche-cruel//Manadeira/Créditos -> CONTRA FATOS
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