Haddad, “Taxad” e a disputa com Tarcísio em São Paulo entram no meio da pré-campanha
Fernando Haddad (PT) já se prepara para enfrentar, na corrida pelo governo de São Paulo, o uso do sobrenome “Taxad” por adversários. A expectativa é que o principal embate ocorra contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que aparece avante nos levantamentos mais recentes de intenção de voto.
Nos bastidores da pré-campanha petista, a estratégia é tentar transformar o desgaste provocado pela associação de Haddad ao aumento de impostos em um oração de justiça tributária. A teoria é enfatizar propostas voltadas à taxação de setores mais ricos da economia, uma vez que grandes fortunas, instituições financeiras e plataformas de apostas, traço de informação que ficou associada à chamada “taxação BBB”.
Aliados do ex-ministro avaliam que esse tipo de narrativa pode amenizar o impacto político da chamada “taxa das blusinhas”, sobrenome oferecido à tributação sobre compras internacionais de até 50 dólares. No entorno de Haddad, há a leitura de que medidas uma vez que a taxação de apostas eletrônicas, a tributação de offshores, a incidência sobre fundos exclusivos e a cobrança mínima sobre lucros de multinacionais ajudaram a reposicionar sua imagem junto a segmento do eleitorado de esquerda.
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A inspiração para essa traço de oração também tem vindo do exterior. Em Novidade York, o prefeito Zohran Mamdani tem defendido o aumento de impostos sobre imóveis de cimeira valor que não sejam usados uma vez que residência principal. Em meados de abril, ele voltou a tratar publicamente do tema ao associar sua proposta de tributação a imóveis de luxo avaliados em mais de US$ 5 milhões.
Apesar da tentativa de reposicionamento, os números mais recentes ainda mostram vantagem de Tarcísio. Pesquisa Paraná divulgada em 16 de abril aponta o atual governador com 47,8% das intenções de voto em um cenário estimulado de primeiro vez, contra 33,1% de Haddad. Em eventual segundo vez, Tarcísio aparece com 53,4%, enquanto o petista soma 37,3%.
Ao mesmo tempo, outros levantamentos são vistos com mais otimismo por integrantes do PT. Pesquisa AtlasIntel divulgada em 30 de março mostrou um cenário mais apertado, com Tarcísio marcando 49,1% e Haddad, 42,6%. O resultado reforçou, entre petistas, a avaliação de que a disputa ainda pode ser competitiva, mormente se a campanha conseguir reorganizar a percepção do votante sobre a tarifa tributária.
Na prática, a pré-campanha de Haddad caminha por uma traço delicada. De um lado, tenta neutralizar um rótulo que se tornou símbolo de desgaste político. De outro, aposta que a resguardo da taxação dos mais ricos pode funcionar uma vez que instrumento de contraste com a direita e de mobilização de sua base. O duelo do petista será transformar esse oração em ativo eleitoral em um estado onde Tarcísio, até cá, mantém posição de vantagem.
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