Uma recente mudança de tom em secção da prensa tradicional brasileira tem chamado a atenção nos bastidores da política e do Recta. Anos em seguida o polêmico início do Interrogatório das Fake News (Inq. 4781), vozes que antes defendiam a atuação do Supremo Tribunal Federalista (STF) agora vêm a público reconhecer os excessos cometidos pela Galanteio. O caso mais recente envolve o jornalista Merval Pereira, do grupo Mundo, que admitiu em pilastra recente a complacência da mídia com o que chamou de “falhas técnicas” e “exageros”.
A Complacência Sob o Pretexto da “Resguardo da Democracia”
Historicamente criticado por setores conservadores devido à forma porquê foi instaurado — sem sorteio e com a indicação direta do ministro Alexandre de Moraes porquê relator —, o sindicância sempre foi mira de debates sobre sua constitucionalidade. No entanto, segundo a recente recepção do colunista, grande secção da prensa profissional optou por não combater esses abusos com o devido rigor.
A justificativa para essa vista grossa? O entendimento de que o “objetivo final era correto”. O trecho realçado da pilastra expõe essa narrativa de forma clara:
“O sindicância das Fake News, por exemplo, mal iniciado há sete anos, foi muito criticado no momento por falhas técnicas (…). Mas seus exageros nunca foram combatidos com o devido rigor por boa secção da prensa profissional, inclusive eu, no entendimento de que o objetivo final era correto.”
A enunciação soa para muitos analistas porquê um compunção tardio de quem ajudou a nutrir uma estrutura de poder que agora age sem freios.
De Protetor a Ameaço: O Novo Papel do STF
O editorial vai além e aponta uma inversão de papéis no cenário institucional brasiliano. Se antes a narrativa era a de que a Galanteio atuava para sustar arroubos autoritários do Poder Executivo, agora, a percepção que ganha força na própria mídia tradicional é a de que o STF assumiu uma postura que coloca a própria democracia em risco.
O texto do jornalista descreve um cenário onde o tribunal se envolveu em um “jogo político” profundo:
“Agora já não é mais um governo dominador que prenúncio o Supremo, é o Supremo que prenúncio a democracia se envolvendo em um jogo político que, a pretexto de prevenir uma volta da extrema-direita ao poder, se transforma em um instrumento de medidas autoritárias.”
A sátira se aprofunda ao sugerir que a Galanteio blinda seus próprios membros de investigações, agindo com reações “agressivas e desproporcionais”. A sensação relatada é a de que os ministros se sentem, de indumento, supra dos demais poderes da República — uma postura que remete à infame e irônica frase atribuída ao ministro Gilmar Mendes: “o nome é Supremo porque nós somos supremos”.
O Dispêndio do “Vale-Tudo” Institucional
O reconhecimento de que a prensa fechou os olhos para irregularidades jurídicas em nome de barrar um espectro político específico (a extrema-direita) escancara uma crise no jornalismo e nas instituições.
Para os críticos que desde o início apontavam a inconstitucionalidade do sindicância, a recepção de Merval Pereira não é motivo de comemoração, mas a constatação de um dano irreversível. Ao endossar o ativismo judicial sob a roupas de “salvação democrática”, abriu-se um precedente perigoso. O monstro foi manteúdo, e o compunção, que chega sete anos depois, encontra um cenário onde as garantias democráticas já se encontram profundamente fragilizadas.
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