Procedimentos realizados em clínica que atendia pelo SUS deixaram dezenas de pessoas com complicações graves e infecção bacteriana
Um mutirão de cirurgias de catarata realizado em 26 de fevereiro na clínica Clivan, em Salvador, terminou com dezenas de pacientes enfrentando complicações graves. De conformidade com informações da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), mais de 30 pacientes relataram dores intensas e ao menos 35 tiveram infecção bacteriana confirmada depois os procedimentos.
Em alguns casos, as complicações foram tão severas que pacientes precisaram passar por evisceração ocular, cirurgia que consiste na retirada do teor interno do olho.
Unidade foi interditada depois denúncias
As cirurgias ocorreram em uma unidade que prestava atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Posteriormente o surgimento das denúncias e o aumento no número de complicações relatadas, a clínica foi interditada na segunda-feira (2).
Segundo a prefeitura, pacientes passaram a procurar atendimento médico com perda de visão, dores intensas e outros problemas no pós-operatório, o que levou à adoção imediata de medidas administrativas.
Mais de 130 cirurgias foram realizadas no mesmo dia
Dados divulgados pela Secretaria Municipal da Saúde indicam que 138 procedimentos cirúrgicos foram realizados na clínica durante o mutirão.
Desse totalidade:
- 26 cirurgias ocorreram na sala onde foram registrados os problemas
- 25 pacientes operados nesse sítio apresentaram complicações
- 1 paciente não relatou sintomas e possui consulta de revisão agendada
Os pacientes afetados passaram a ser acompanhados pela rede pública de saúde.
Pacientes precisaram retirar segmento do olho
Entre os casos com intercorrências identificados pela secretaria:
- 16 pacientes seguem em tratamento galeno especializado
- 9 tiveram indicação de evisceração ocular
Até o momento:
- 7 já passaram pela cirurgia
- 2 ainda aguardam a realização do procedimento
A evisceração ocular é uma mediação utilizada em situações graves para evitar o agravamento da infecção ou outras complicações.
Prefeitura afirma que mutirão não foi autorizado
Em enunciação à CNN Brasil, a Secretaria Municipal da Saúde afirmou que não autorizou a realização do mutirão nem os procedimentos realizados naquela data.
Segundo o órgão, a realização de cirurgias sem autorização prévia do gestor do SUS viola as regras do sistema público de saúde.
De conformidade com a pasta, esse tipo de prática descumpre o fluxo regular de regulação e a relação contratual com o SUS, sendo considerada uma irregularidade gravíssima.
Pacientes vieram de diferentes cidades
Um levantamento feito a partir do Cadastro Vernáculo de Saúde apontou que os pacientes atendidos não eram unicamente da capital baiana.
Segundo os dados levantados:
- 14 pacientes são moradores de Salvador
- 11 vieram de outros municípios
Aliás, a secretaria identificou outra irregularidade no processo de autorização.
Oito pacientes tiveram solicitações de autorização registradas unicamente em 2 de março, dias depois do mutirão e já depois o surgimento das complicações.
Prefeitura adotou medidas e abriu investigação
Posteriormente tomar conhecimento dos casos, a prefeitura anunciou uma série de providências administrativas.
Entre as medidas adotadas estão:
- interdição da clínica Clivan
- suspensão do alvará sanitário
- cancelamento do convênio com o município
Também foi desimpedido processo administrativo sanitário para apurar o ocorrido.
O caso foi expedido ao Ministério Público e ao Juízo Regional de Medicina do Estado da Bahia (CRM-BA).
Juízo de Medicina realizou fiscalização
O Juízo Regional de Medicina da Bahia informou que realizou fiscalização na clínica depois ser acionado pelas autoridades.
Segundo o órgão, um relatório técnico será produzido com base na inspeção realizada na unidade. Somente depois a desfecho dessa estudo serão definidas eventuais medidas administrativas ou disciplinares.
O recomendação também destacou que sanções públicas só podem ser divulgadas caso haja introdução e desfecho de processo ético-profissional, que tramita sob sigilo.
Pacientes estão sendo redirecionados para outros hospitais
A Secretaria Municipal da Saúde informou que está localizando pacientes que tinham consultas, exames ou cirurgias agendadas na clínica para encaminhá-los a outras unidades da rede.
O objetivo é prometer a perenidade do atendimento pelo SUS.
Os pacientes que sofreram complicações estão sendo acompanhados em serviços especializados, entre eles:
- Hospital Universal do Estado
- Hospital Santa Luzia
Clínica não se manifestou
A reportagem procurou a clínica Clivan para comentar as denúncias e os acontecimentos relacionados ao mutirão.
Até a publicação da material, não havia sintoma da instituição. O espaço permanece desimpedido para esclarecimentos.
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