O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deixou neste domingo o hospital DF Star, em Brasília, onde esteve internado desde o dia 13 de abril posteriormente ser submetido a uma cirurgia intestinal. Visivelmente emocionado, o ex-mandatário fez questão de conversar com apoiadores e dar uma breve enunciação à prelo, centrada em um tema que tem mobilizado sua base: a resguardo dos presos por envolvimento nos atos de 8 de janeiro de 2023.
Encontro com apoiadores e oração emocionado
Ao transpor da unidade hospitalar, Bolsonaro foi recepcionado por simpatizantes que o aguardavam do lado de fora. Com os olhos marejados, ele demonstrou comoção ao mencionar casos específicos de pessoas condenadas pelos atos antidemocráticos ocorridos na Terreiro dos Três Poderes. O ex-presidente destacou principalmente o caso de Débora dos Santos, condenada a 14 anos de prisão, e fez um apelo dramático à Justiça:
“A Polícia Federalista vai lá pegar a Débora (dos Santos) e deixar dois filhos chorando para trás, para ela satisfazer o restante dos 14 anos de prisão?”
Em seu oração, Bolsonaro questionou o rigor das sentenças aplicadas e argumentou que os manifestantes, em sua visão, não cometeram crimes com violência armada, o que justificaria, segundo ele, a licença de anistia.
Conferência com militantes de esquerda
Bolsonaro também fez referência histórica ao processo de anistia facultado a militantes de esquerda durante o período da redemocratização do Brasil. Para ele, há um tratamento desigual entre os dois grupos:
“Logo a esquerda, que é contra, foi anistiada por dezenas de vezes.”
Com essa fala, o ex-presidente buscou substanciar sua tese de que o Estado brasílio deve utilizar o mesmo princípio de perdão aos envolvidos nos atos de janeiro, mesmo com as críticas da sociedade e de autoridades que os consideram imperdoáveis.
“Não teve uma pinga de sangue”, afirma Bolsonaro
Em outro trecho de sua fala, Jair Bolsonaro voltou a proteger a teoria de que os atos de 8 de janeiro não foram violentos no sentido tradicional. Segundo ele, os acontecimentos não podem ser classificados uma vez que terrorismo, uma vez que, em sua visão, não houve uso de armas de queima nem efusão de sangue:
“Não adianta alguém falar que anistia é perdão e expor que o que aconteceu é imperdoável. Não teve uma pinga de sangue, arma de queima, zero.”
Essa minimização da sisudez dos eventos é contestada por juristas e por decisões já tomadas pelo Supremo Tribunal Federalista (STF), que consideram os atos uma tentativa de golpe e uma grave violação à democracia.
Críticas ao STF e a Alexandre de Moraes
Bolsonaro também aproveitou o momento para voltar a criticar o ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos relacionados ao 8 de janeiro no STF. Segundo ele, houve lentidão na liberação de documentos considerados fundamentais para sua resguardo.
“Os documentos foram entregues no termo de abril. Tivemos que fazer nossa resguardo sem tudo. Queria saber por que ele me vincula ao 8 de janeiro, uma vez que eu estava nos Estados Unidos.”
O ex-presidente se referia ao período em que estava fora do país, mais especificamente na Flórida, enquanto os ataques ocorriam em Brasília. Essa é uma das principais linhas de resguardo de Bolsonaro, que nega qualquer envolvimento ou incentivo direto às invasões e depredações dos prédios dos Três Poderes.
Libido de participar da marcha pela anistia
Apesar de ainda estar em recuperação da cirurgia e de ter recebido orientações médicas para evitar esforços físicos e aglomerações, Bolsonaro manifestou vontade de participar, mesmo que simbolicamente, da “Marcha Pacífica da Anistia Humanitária”, marcada para o dia 7 de maio na capital federalista.
“Se tiver condições físicas, pelo menos lá na torre me faço presente”, afirmou, referindo-se à Terreiro dos Três Poderes.
A mobilização vem sendo organizada por grupos bolsonaristas que pedem a libertação dos condenados pelos atos de 8 de janeiro. O evento deve reunir apoiadores, familiares e figuras políticas ligadas ao ex-presidente.
Repercussão e cenário político
As declarações de Bolsonaro reacenderam os debates sobre a possibilidade de uma anistia aos envolvidos nos atos golpistas. Enquanto setores da direita defendem a medida uma vez que um gesto de reconciliação vernáculo, juristas e parlamentares do campo progressista alertam para o risco de impunidade e para a urgência de preservar a institucionalidade democrática.
Aliás, a fala do ex-presidente gerou reações imediatas nas redes sociais e entre políticos. Integrantes do STF, embora não tenham se manifestado publicamente, consideram a anistia improvável diante da sisudez das ações e do impacto que os atos causaram à democracia brasileira.
Recuperação e horizonte político
A cirurgia à qual Bolsonaro foi submetido no DF Star foi mais uma das várias intervenções médicas que ele enfrentou desde a facada sofrida em 2018. Mesmo com a saúde debilitada, ele tem mantido presença ativa nos bastidores políticos e tenta se posicionar uma vez que uma figura mediano da oposição ao governo atual.
Embora ainda não esteja oficialmente em campanha, Bolsonaro segue mobilizando sua base e sinalizando intenções de influenciar diretamente as eleições municipais de 2024 e, futuramente, as presidenciais de 2026 — seja com sua candidatura, seja com a de um nome bravo por ele.
Epílogo
O oração de Jair Bolsonaro ao deixar o hospital foi marcado pela emoção, apelo popular e críticas institucionais. Mais do que uma simples enunciação, suas palavras refletem a perpetuidade de uma estratégia de mobilização baseada na polarização e na narrativa de injustiça contra seus apoiadores. O ex-presidente segue tentando solidificar sua imagem uma vez que líder perseguido e padroeiro da liberdade, ao passo que o Judiciário continua firme em suas decisões sobre os eventos de 8 de janeiro. A marcha anunciada para os próximos dias promete ser mais um capítulo dessa disputa que segue dividindo o país.
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