Convênio sem licitação entre PortosRio e UFRJ destinou milhões a bolsistas com vínculos políticos, incluindo cabos eleitorais, candidatos e parentes de políticos
Por ContraFatos 27/07/2026 Atualizado em 27/07/2026
Folha de pagamentos sigilosa revelou que mais da metade dos bolsistas tinha vínculos com a classe política
Um convênio de R$ 35 milhões firmado sem licitação entre a PortosRio, estatal federalista, e a Universidade Federalista do Rio de Janeiro (UFRJ) canalizou R$ 3,3 milhões para 305 pessoas ligadas à política. A informação foi revelada por reportagem do UOL, que teve entrada a uma folha de pagamentos sigilosa referente à primeira parcela do convenção.
Candidatos, cabos eleitorais e parentes de políticos entre os beneficiários
O levantamento abrange os meses de janeiro a março de 2023 e identificou que, dos 544 bolsistas contemplados com recursos nesse período, mais da metade possuía conexões diretas com a classe política. O perfil dos beneficiários inclui candidatos que disputaram as últimas eleições, cabos eleitorais, ex-servidores públicos, dirigentes de partidos, familiares de políticos e aliados.
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Auditoria interna da PortosRio aponta irregularidades
O próprio órgão de controle interno da estatal levantou questionamentos sobre a operação. A auditoria constatou a privação de estudos técnicos que justificassem a opção pelo convênio com a UFRJ em detrimento da contratação de consultorias privadas por vias regulares. Outrossim, o uso de recursos próprios da empresa para viabilizar o convenção foi classificado porquê uma “queima de caixa”.
Convênio previa estudos científicos e integração com comunidades portuárias
Formalmente, o objeto do convenção contemplava a realização de estudos científicos, projetos técnicos, ações de capacitação profissional e iniciativas voltadas à integração entre os portos administrados pela PortosRio e as comunidades do entorno. Porém, a constituição da lista de bolsistas levanta dúvidas sobre a finalidade real dos recursos.
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Influência do ex-prefeito Waguinho sobre a estatal
Segundo a reportagem do UOL, a PortosRio se transformou em dimensão de influência do ex-prefeito de Belford Roxo, Waguinho (Republicanos), coligado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A investigação jornalística identificou entre os beneficiários das bolsas familiares de políticos, assessores parlamentares e até ex-prefeitos.
Governo Lula nega interferência política na estatal
Em nota solene, o Palácio do Planalto negou que o presidente Lula tenha facultado a Waguinho qualquer tipo de influência política sobre a PortosRio. A estatal, por sua vez, declarou que o contrato foi comemorado com a UFRJ, e não diretamente com os bolsistas, acrescentando que não possui cadastro sobre filiação político-partidária dos participantes do programa.
Posicionamento da UFRJ sobre a seleção dos bolsistas
A UFRJ informou que segmento dos bolsistas foi selecionada pela própria universidade, enquanto outra parcela foi indicada pela PortosRio. A partilha de responsabilidades na escolha dos nomes coloca em evidência o papel de ambas as instituições na distribuição dos recursos públicos a pessoas com vínculos políticos.
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