A identificação dessa transmigração aconteceu por casualidade. Na Segunda Guerra Mundial, militares que operavam equipamentos de sonar perceberam uma anomalia intrigante: o suposto fundo do mar parecia se movimentar, subindo e descendo ao longo do dia. Somente mais tarde os cientistas compreenderam que o fenômeno não tinha relação com o relevo oceânico. O que os sonares captavam era, na verdade, uma nuvem gigantesca de pequenos organismos realizando seu deslocamento quotidiano entre as profundezas e a superfície.
A lógica da sobrevivência por trás do comportamento
A razão para esse deslocamento massivo é relativamente simples. Durante a noite, a pouquidade de luz oferece uma categoria de proteção contra predadores, permitindo que os animais se alimentem com mais segurança na superfície. Ao amanhecer, eles retornam às profundezas para se proteger e digerir o maná consumido. O ciclo se repete ininterruptamente, dia depois dia.
Receba no WhatsApp as principais noticias do dia
Entre no grupo do ContraFatos e acompanhe os destaques em primeira mao.
Entrar no grupo
Copépodes e peixes-lanterna lideram o movimento
Dois grupos se destacam entre os protagonistas dessa jornada noturna. Os copépodes, pequenos crustáceos que pesquisadores apontam uma vez que um dos animais mais numerosos do oceano, e os peixes-lanterna, que sozinhos representam uma parcela significativa de toda essa volume biológica em deslocamento.
Um papel crucial na regulação do clima
Para além do paisagem biológico, essa transmigração diária exerce uma função vital para o estabilidade climatológico global. O movimento transporta uma quantidade extraordinária de carbono da superfície para as profundezas oceânicas — um tanto em torno de seis gigatoneladas por ano, o que corresponde a mais do que o duplo das emissões de todos os automóveis do mundo. Ao atingir profundidades inferior dos 1.000 metros, esse carbono pode permanecer armazenado por séculos, contribuindo de forma decisiva para a firmeza do clima terrestre.
Ameaças crescentes à zona crepuscular
Apesar de sua relevância, essa região do oceano enfrenta riscos crescentes. O derretimento do gelo pelágico provocado pelas mudanças climáticas permite que a luz solar penetre mais fundo e por períodos mais longos, perturbando a rotina desses organismos. Paralelamente, a queda nos estoques pesqueiros tradicionais tem levado a indústria alimentícia a voltar os olhos para espécies uma vez que o peixe-lanterna, utilizado na fabricação de farinha e óleo de peixe.
Moção internacional pede cautela na exploração
Diante desse cenário, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) aprovou, em outubro de 2025, durante o Congresso Mundial de Conservação realizado em Abu Dhabi, a Moção 035. O documento solicita uma pausa preventiva em qualquer novidade atividade pesqueira ou industrial na zona mesopelágica até que estudos mais aprofundados e salvaguardas legais adequadas sejam estabelecidos para proteger essa região.
carbono oceânico,cientistas,clima,Congresso,conservação marinha,copépodes,indústria,transmigração marinha,militares,mudanças climáticas,oceano,peixes-lanterna,segurança,zona crepuscular
https://www.contrafatos.com.br/seres-das-profundezas-fazem-a-maior-migracao-do-planeta-todas-as-noites-e-o-motivo-surpreende//Manadeira/Créditos -> CONTRA FATOS
⚠️ DESCUBRA O QUE ESTÃO ESCONDENDO DE VOCÊ!
ACESSE NOSSO GRUPO NO ZAP E RECEBA CONTÉUDOS
SEM CENSURA EM PRIMEIRA MÃO👇