Galípolo diz à CPI que auditorias não acharam culpa de Campos Neto no caso Master
Galípolo afirmou nesta quarta-feira, 8 de abril de 2026, que os processos de auditoria e de sindicância interna do Banco Medial não identificaram culpa do ex-presidente da mando monetária, Roberto Campos Neto, no caso Master.
A enunciação foi dada durante audiência na CPI do Transgressão Organizado, no Senado. O presidente do Banco Medial foi chamado para explicar a atuação da instituição em um escândalo que provocou potente impacto no sistema financeiro e abriu novas frentes de investigação em Brasília.
Segundo Galípolo, não há registro, nos procedimentos internos do BC, de elemento que atribua responsabilidade a Campos Neto. A fala ocorre em meio ao progressão das apurações sobre o colapso do Banco Master e seus desdobramentos políticos, financeiros e judiciais.
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Galípolo diz que auditorias do Banco Medial não apontaram culpa de Campos Neto
Durante o testemunho, Galípolo afirmou que as auditorias e sindicâncias realizadas pelo Banco Medial não encontraram “qualquer culpa” de Roberto Campos Neto no caso.
A enunciação tenta delimitar a responsabilidade institucional dentro do BC, ao mesmo tempo em que reforça a risco adotada pela atual direção da mando monetária: separar eventuais falhas individuais do trabalho técnico formal já concluído nos processos internos.
Galípolo prestou esclarecimentos na quesito de testemunha. O relator da CPI é o senador Alessandro Vieira (MDB-SE).
Caso Master expôs rombo bilionário e ampliou pressão sobre o Banco Medial
O caso Master ganhou dimensão vernáculo depois a invenção de um rombo de quase R$ 52 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O incidente passou a ser tratado uma vez que o maior escândalo bancário da história recente do país.
O fundador do banco, Daniel Vorcaro, está recluso desde 4 de março e é investigado por devassidão, lavagem de verba e invasão de dispositivos informáticos.
As investigações também apuram a possibilidade de delação premiada com potencial de atingir autoridades dos Três Poderes. Em 19 de março de 2026, Vorcaro firmou um convénio de confidencialidade com a Polícia Federalista e a Procuradoria-Universal da República, lanço que pode transfixar caminho para colaboração formal.
Reunião fora da agenda no Planalto ampliou questionamentos políticos
Um dos pontos mais sensíveis do caso envolve uma reunião fora da agenda pública realizada em 4 de dezembro de 2024, no Palácio do Planalto. Do encontro participaram Daniel Vorcaro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gabriel Galípolo e outras autoridades.
Na era, Galípolo não comunicou a reunião ao portanto presidente do Banco Medial, Roberto Campos Neto. O incidente passou a ser citado por parlamentares e investigadores uma vez que elemento politicamente relevante dentro da cronologia do caso.
A revelação aumentou a pressão sobre o governo e sobre a meio institucional de um incidente que já produz efeitos sobre bancos públicos, órgãos de controle e investigações criminais.
BRB comprou carteiras do Master e entrou em situação alarmante
O Banco Medial identificou os chamados créditos podres do Master durante a negociação de compra da instituição pelo BRB, em 2025. O banco estatal do Província Federalista adquiriu R$ 12,2 bilhões em carteiras do Master.
Depois da operação, o BRB passou a enfrentar potente deterioração financeira. Em fevereiro deste ano, a instituição apresentou um projecto de capital para reconstituir o balanço e substanciar a liquidez. Ainda assim, há risco de liquidação pelo próprio Banco Medial.
A situação se agravou porque o BRB ainda não divulgou o balanço financeiro do ano pretérito, o que ampliou as incertezas sobre a real quesito do banco.
Banco Medial comunicou PF e MPF depois concluir que não havia lastro
De convénio com Galípolo, o diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino, identificou em janeiro de 2025 que o Master estava vendendo novas carteiras de crédito para enfrentar problemas de liquidez, mesmo diante das dificuldades de captação.
Em fevereiro, foi criado um grupo de estudo. Já em março, esse núcleo detectou indícios de que as carteiras não tinham lastro suficiente. Naquele momento, porém, os documentos disponíveis ainda não bastavam para caracterizar fraude de forma conclusiva.
A certeza sobre a inexistência de lastro veio em 27 de junho de 2025. Depois disso, o Banco Medial informou o Ministério Público Federalista e a Polícia Federalista em julho. A primeira temporada da operação Compliance Zero ocorreu em novembro.
Segundo Galípolo, o BC adotou o rito lítico necessário para evitar contestações futuras e reunir base técnica sólida antes de acionar formalmente as autoridades competentes.
Servidores do BC e processos da CGU também entraram na mira
As apurações não se limitam ao Banco Master. Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, ambos ligados ao Banco Medial, são suspeitos de proporcionar interesses do Master dentro da mando monetária.
A Controladoria-Universal da União instaurou processos administrativos disciplinares. Já a Polícia Federalista conduz a frente criminal.
Paulo Sérgio Souza, ex-diretor de Fiscalização do BC entre 2017 e 2023, é investigado por suposto fornecimento de informações privilegiadas a Daniel Vorcaro. Ele e Belline atuavam no Departamento de Supervisão Bancária e foram afastados dos cargos em 4 de março deste ano.
Assim, o caso se desdobra em duas frentes principais: uma administrativa, conduzida pela CGU, e outra criminal, sob responsabilidade da PF.
Liquidação do Banco Master ampliou impacto sobre fundos públicos e Previdência
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Medial em novembro de 2025. Mesmo representando exclusivamente 0,57% do ativo totalidade e 0,55% das captações do sistema financeiro vernáculo, a instituição provocou um rombo recorde no FGC, de quase R$ 52 bilhões.
Outrossim, o caso gerou prejuízo de quase R$ 2 bilhões para Estados e municípios por meio de fundos de Previdência.
Os números reforçaram a percepção de falhas graves de supervisão e elevaram a cobrança por respostas mais duras do poder público, sobretudo diante do tamanho do impacto causado por uma instituição relativamente pequena no sistema.
Galípolo cita consternação e defende mais autonomia para o BC
Em seguida o progressão das investigações, Galípolo declarou que o Banco Medial passou a agir com sentimento de “consternação” diante do caso Master. Ele também afirmou, em outra ocasião, que a moral é um valor mediano para os servidores da instituição.
No mesmo contexto, defendeu a aprovação da PEC 65 de 2023 no Congresso, proposta que amplia a autonomia financeira do Banco Medial em relação ao governo federalista.
A resguardo da medida ocorre no momento em que o caso Master expõe fragilidades institucionais, pressões políticas e questionamentos sobre o envolvente de supervisão bancária no país.
O que a CPI procura esclarecer no caso Master
A CPI quer entender quando o Banco Medial identificou as irregularidades, por que a resposta institucional demorou e quais agentes públicos ou privados podem ter atuado para beneficiar o Master.
Os senadores também miram os efeitos políticos do caso, principalmente depois a revelação de encontros fora da agenda, o progressão das investigações federais e a verosímil colaboração premiada de Daniel Vorcaro.
O testemunho de Galípolo serviu para alongar, no projecto formal das auditorias internas, a responsabilização de Roberto Campos Neto. Ainda assim, a crise segue oportunidade e deve continuar produzindo desgaste institucional, financeiro e político nas próximas etapas das investigações.
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