Quem não se lembra de um samba-enredo da escola do coração? Quem nunca virou a madrugada diante da televisão esperando a escola entrar na Avenida, cantando junto cada verso, cada refrão, cada grito de guerra?
O desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro sempre foi secção do carnaval de milhões de brasileiros, inclusive de cristãos que não pisaram na Marquês de Sapucaí, mas que acompanhavam tudo de suas casas, ansiosos pela apuração na quarta-feira de cinzas. O carnaval era emoção, arte, disputa acirrada, luxo, originalidade e identidade cultural.
Porquê olvidar o “Olha a Beija-Flor aí, gente!” da Beija-Flor de Nilópolis ecoando pela avenida? Ou o clássico “Explode coração, na maior felicidade” do Acadêmicos do Salgueiro? Quem nunca se arrepiou ao ouvir “Portela na avenida!” da Portela ou cantou “Mangueira, teu cenário é uma formosura” com a Estação Primeira de Mangueira? Dentre tantos outros sambas guardados em nossos corações.
Esses refrões atravessaram gerações. Não eram somente músicas. Eram símbolos de pertencimento, de orgulho, de brasilidade.
O Termo da Inocência e o Início da Militância
Muitos problemas aconteceram ao longo das décadas: disputas políticas, interesses comerciais, polêmicas estéticas. Mas ouso declarar que nenhum foi tão grave quanto o promovido pela Acadêmicos de Niterói.
Sob a justificativa de “trovar” a história de vida de Lula, a escola transformou o que deveria ser celebração cultural em varanda político explícito. E mais: promoveu ataques diretos e covardes ao ex-presidente Jair Bolsonaro e, de forma ainda mais preocupante, desferiu críticas agressivas à família brasileira, em privativo aos cristãos.
As imagens circularam amplamente. O teor do desfile é público e notório. Mas meu registro cá não é somente revoltado, é um alerta.
Penso nos profissionais que vivem do carnaval: carnavalescos, costureiras, aderecistas, ritmistas, ferreiros, coreógrafos. Penso nos pais de família que já começam a planejar 2027. Penso naquelas pessoas simples que passam o ano poupando para realizar o sonho de desfilar com sua escola.
Um Pacto Quebrado
O carnaval sempre foi plural. Sempre coube sátira social, sátira, denúncia histórica. Mas há uma diferença abissal entre sátira e ataque direcionado; entre arte e militância partidária; entre enredo e varanda eleitoral.
Quando uma escola decide transformar a avenida em instrumento de propagação de ódio político, ela rompe um pacto simbólico com o público. O carnaval não é propriedade de um grupo ideológico. Ele pertence ao povo brasílio, inteiro, diverso, contraditório.
Onde estão hoje o fulgor, as plumas, as alegorias que encantavam do Oiapoque ao Chuí? Onde está a disputa pela nota máxima no quesito simetria, e não pelo ovação ideológico da bolha esquerdista?
A Acadêmicos de Niterói conseguiu, sim, realizar um tanto concreto e real em seu desfile: expôs na avenida a radicalização e o ódio que a extrema-esquerda lulofascista destila contra quem pensa dissemelhante, contra a família, contra os cristãos. Transformou ressentimento e ódio em samba-enredo. E isso não eleva o carnaval; ao contrário, o empobrece, o destrói.
A Urgência de Punição Réplica
Se o carnaval seguir esse caminho, perderá o que tem de mais valioso, que é a capacidade de unir pessoas que pensam dissemelhante em torno da mesma emoção.
A Liga das escolas de samba precisa refletir seriamente sobre os limites entre liberdade artística e instrumentalização partidária acompanhada de promoção do ódio. Não se trata de increpação, mas de responsabilidade cultural e saudação ao numerário público muitas vezes investido ali.
O que está em jogo não é somente a nota de um desfile, mas a credibilidade de uma tradição que atravessou décadas. O carnaval carioca não pode ser reduzido a trincheira ideológica. A Acadêmicos de Niterói não deveria somente ser rebaixada, mas ser banida da Liga das escolas de samba.
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