O covarde homicídio de Charlie Kirk é resultado daquilo que o filósofo Eric Voegelin chamou de “consciência pneumopatológica” — uma consciência formada pelo adoecimento do espírito, fenômeno bastante característico das ideologias políticas modernas e, em privado, da ideologia da esquerda contemporânea.
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Sublinhe-se: o responsável fala em pneumopatologia, e não em psicopatologia. Trata-se de uma doença místico, não de uma doença mental. A secção humana cá atingida é o “espírito” (pneuma), não a “psique” ou a “mente” (psyche). Enquanto a psyche diz saudação ao domínio interno da mente humana, o pneuma é, por assim manifestar, o ‘órgão’ que estabelece a informação entre a psique individual e a veras transcendente. Nas palavras do responsável:
“Em contraste com a estupidez simples, temos agora de honrar a estupidez elevada ou inteligente (…) A estupidez elevada ou inteligente é um distúrbio no estabilidade do espírito. O espírito agora se torna o contendedor, não a mente. Não é um defeito da mente (…), mas um defeito do espírito, uma revolta contra o espírito (…) Schelling já empregou a frase ‘pneumopatologia’ para distúrbios espirituais desse tipo. Isso significa que o espírito está doente, não a psique no sentido da psicopatologia”.
A “doença” que matou Charlie Kirk
Mas qual seria, por fim, essa doença do espírito? De entendimento com a antropologia filosófica clássica e judaico-cristã, o varão é uma pessoa situada a meio caminho (metaxy, na terminologia platônica) entre a transcendência e a imanência ou, em linguagem aristotélica, entre Deus e as bestas. Diz Voegelin:
“A existência tem a estrutura do Entre, do metaxy platônico, e, se um tanto é uniforme na história da humanidade, é a linguagem da tensão entre vida e morte, imortalidade e mortalidade, sublimidade e imperfeição, tempo e perpetuidade, entre ordem e desordem, verdade e falsidade, sentido e falta de sentido da existência; entre o paixão Dei e o paixão sui, l’âme ouverte e l’âme close; entre as virtudes de lisura para o fundamento do ser, uma vez que a fé, o paixão e a esperança, e os vícios do fechamento progressivo, uma vez que a hybris e a revolta; entre os humores de alegria e desespero; e a demência em seu duplo sentido: demência do mundo e demência de Deus”.
A consciência humana saudável é aquela que reconhece e aceita essa existência-em-tensão, tomando-a uma vez que ponto de partida para a compreensão da veras circundante e de seu próprio lugar na ordem das coisas. A consciência pneumopatológica exaspera-se com essa veras da quesito humana, daí que o seu portador passe a vida inteira numa existência-em-revolta.
O gnosticismo
Essa “existência-em-revolta” manifesta-se historicamente sob várias formas. Por exemplo, no idoso gnosticismo, o mundo e o corpo eram considerados prisões criadas de forma demoníaca, que restringem a faúlha divina na humanidade. Nas filosofias modernas, essas tensões decorrentes da quesito fundamentalmente ambígua do ser humano deram origem às tentativas de divinizar o varão (comtismo, marxismo, nietzscheanismo) ou para explicar a humanidade unicamente em termos de animalidade (darwinismo), ou para explicar Deus uma vez que uma projeção da psique humana (feuerbachismo, freudismo). Seja uma vez que for, todas essas manifestações da revolta baseiam-se na mesma negação original da ordem da veras e da quesito humana, uma negação advinda daquilo que os antigos gregos chamavam de hybris (arrogância) e os cristãos chamam de o perversão do orgulho.
O delinquente de Charles Kirk foi criado num envolvente em que as pneumopatologias converteram-se em doutrinas e agendas políticas. Sua existência-em-revolta, incentivada por uma cultura política de esquerda cuja meta é a ruína do mundo atual para a construção ex nihilo do novo mundo da utopia, levou-o a odiar todos os obstáculos à instauração da “segunda veras” por ele imaginada.
Portador do que eu chamo de “síndrome de Raskolnikov”, o sujeito acreditou ter um “recta ao transgressão”. O famoso delinquente de Delito e Pena, de Dostoievski, acreditava ter matado não uma pessoa, mas um princípio. Assim também, para o delinquente de Utah, muito uma vez que para todos os dementes esquerdistas que, doutrinados por uma desumanização midiática incessante, celebraram a morte do influencer conservador Charlie Kirk, não era uma pessoa, mas um princípio cuja remoção é necessária para pavimentar o caminho do “mundo melhor”.
https://revistaoeste.com/mundo/o-assassinato-de-charlie-kirk-e-a-consciencia-pneumopatologica//Natividade/Créditos -> REVISTA OESTE






