O ministro Kássio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federalista (STF), afirmou que o INSS não poderá cobrar a reembolso de benefícios pagos a mais a aposentados favorecidos com a “revisão da vida toda”. O julgamento começou nesta sexta-feira (14), no plenário virtual e vai até a próxima sexta-feira (21). O relator foi escoltado pelo ministro Alexandre de Moraes.
Está em estudo um recurso apresentado pela Confederação Vernáculo dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM). A entidade pede que a decisão da Incisão que anulou a “revisão da vida toda” tenha efeitos somente para o porvir e não implique na reembolso de valores pagos até 5 de abril de 2024, data de publicação da ata do julgamento em questão.
Nunes Marques negou o recurso, mas fez o explicação em seu voto. No seu entendimento, não houve preterição do Supremo sobre o tema. Ele registrou “que não colherão sucesso eventuais cobranças feitas pelo INSS em face dos segurados ou sucessores, referentes a valores recebidos a maior até a data de 5 de abril de 2024 em decorrência de decisões judiciais favoráveis à revisão da vida toda”.
A tese que dava sustentação à “revisão da vida toda” era que o segurado tinha recta a optar pela regra que fosse mais vantajosa para ele: seja a regra de transição, que contabiliza os salários a partir de 1994, seja a regra universal, que leva em conta toda a vida contributiva. O caso tinha grande relevância para a União, que estimou impacto de até R$ 480 bilhões para as contas públicas. Em dezembro de 2022, o Supremo tomou decisão favorável aos aposentados e permitiu que os aposentados optassem pela regra universal.
Já em 2024, o Supremo decidiu que só podem ser contabilizados os salários a partir de 1994 – ou seja, derrubou o entendimento da “revisão da vida toda”. A anulação foi feita por via indireta, por meio do julgamento da regra de transição para o operação dos benefícios. A Incisão decidiu que essa regra de transição é constitucional e, por isso, o segurado não pode optar pela regra que lhe for mais favorável.
*AE