O presidente do Brasil não celebrou a capacidade do povo de poupar. Não comemorou a queda da inadimplência. Não festejou a geração de renda. Celebrou a capacidade de se endividar.
Receba no WhatsApp as principais noticias do dia
Entre no grupo do ContraFatos e acompanhe os destaques em primeira mao.
Entrar no grupo
A medida provisória em questão permite que trabalhadores usem até 20% do saldo do FGTS para quitar dívidas bancárias — cartão de crédito, cheque próprio, consignado e FIES. O programa promete descontos de 30% a 90% para quem recebe até R$ 8 milénio.
Traduzindo: o governo cria um programa para desenrolar dívidas e, no mesmo evento, o presidente elogia o endividamento. É uma vez que um bombeiro que aplaude o queimada enquanto liga a mangueira.
Mas há um pormenor.
Lula fez questão de relembrar a crise de 2008, quando foi à televisão pedir que o povo não tivesse susto de se endividar. Na quadra, segundo ele, o objetivo era movimentar a economia. “Pedindo para que o povo não tivesse susto de se endividar, mas com muita responsabilidade”, disse.
Responsabilidade. A vocábulo mágica que o governo usa para transferir ao cidadão a conta de uma política econômica que, estruturalmente, empurra milhões para o crédito fácil e o consumo subitâneo.
É maravilhoso querer comprar, completou Lula, “mas é só importante a gente estar chamando a atenção para que as pessoas façam as suas dívidas e não percam de vista as suas condições de pagamento”.
Agora compare.
Um governo que mantém juros estratosféricos, trouxa tributária sufocante e um Estado inchado que consome quase metade do PIB diz ao cidadão que o problema é ele — que não soube calcular suas parcelas. O Estado gasta sem limite, mas o povo é que precisa ter “responsabilidade” com suas dívidas.
A pergunta que ninguém faz é simples: se endividamento é tão bom, por que o governo precisa gerar um programa detrás do outro para limpar o nome de milhões de brasileiros?
O Desenrola original. O Desenrola 2. Agora, o Novo Desenrola. O ciclo é sempre o mesmo: estimule o consumo, celebre o crédito, ignore a inadimplência — e, quando a explosivo estoura, lance um programa de renegociação com nome bonito e ato solene no Planalto.
Não é coincidência.
Essa é a lógica de um governo que enxerga no consumo financiado a única métrica de bem-estar social. Povo endividado é povo consumindo. Povo consumindo é economia girando. Economia girando é governo aplaudido. E o FGTS — aquele quantia do trabalhador que o Estado segura à força — vira moeda de troca para extinguir o incêndio que o próprio padrão alimenta.
O que Lula revelou naquele oração não foi um deslize retórico. Foi crença. Na visão do presidente, o chegada à dívida é uma conquista popular. Não a liberdade econômica, não a possibilidade de empreender sem ser esmagado por tributos, não a chance de erigir patrimônio real. Não. A conquista é poder obrigação.
Lula Foto: Ricardo Stuckert / PR
Quando um presidente celebra a dívida do povo uma vez que vitória, a pergunta inevitável é: vitória de quem?
Brasil,crédito,dívidas,economia,endividamento,fgts,inadimplência,juros,Lula,padrão,novo desenrola brasil,política,política econômica,televisão,trabalhadores
https://www.contrafatos.com.br/lula-celebra-o-endividamento-do-povo-e-chama-isso-de-conquista//Manancial/Créditos -> CONTRA FATOS
⚠️ DESCUBRA O QUE ESTÃO ESCONDENDO DE VOCÊ!
ACESSE NOSSO GRUPO NO ZAP E RECEBA CONTÉUDOS
SEM CENSURA EM PRIMEIRA MÃO👇