Mais impostos, menos incremento e nenhuma reforma estrutural: o roteiro fiscal do governo Lula parece cada vez mais previsível — e perigoso.
Quantos impostos um governo consegue produzir antes de comportar que o problema não é a arrecadação, mas o gasto? No Brasil de Luiz Inácio Lula da Silva, a resposta parece ser: ainda não chegamos ao limite.
Os números impressionam — e preocupam. São 43 medidas para aumentar a arrecadação em pouco mais de três anos de procuração. Na prática, uma novidade investida tributária a cada 27 dias. Não se trata de um ajuste pontual. É uma estratégia. E, mais do que isso, uma escolha política deliberada: resolver o desequilíbrio fiscal pelo caminho mais fácil — o bolso do tributário.
O pormenor que desmonta qualquer tentativa de justificativa é outro: isso acontece em meio a recordes sucessivos de arrecadação. Em 2025, o governo federalista recolheu R$ 2,9 trilhões, com incremento real. Ou seja, não estamos diante de um Estado subfinanciado. Estamos diante de um Estado que arrecada muito — e gasta mal.
A sátira feita pelo tributarista Luís Garcia é cirúrgica: o Brasil já opera com uma fardo tributária de tapume de 34% do PIB, patamar típico de países desenvolvidos. Mas com um pormenor incômodo — sem entregar serviços públicos de qualidade equivalente. A conta não fecha. E o governo parece pouco interessado em fazê-la fechar.
Em vez de enfrentar o verdadeiro nó — o incremento descontrolado das despesas —, opta-se por multiplicar fontes de receita. Reonera combustíveis. Taxa investimentos. Aumenta IOF. Cria impostos sobre consumo, renda, operações financeiras e setores específicos. Até pequenas compras internacionais entram na mira. A lógica é simples: tudo que se move, tributa-se.
Mas há um limite. E ele não é somente econômico — é também político.
A teoria econômica básica ensina: fardo tributária excessiva reduz investimento, diminui competitividade e freia o incremento. Não é ideologia. É veras empírica. E os dados começam a mostrar isso. O incremento de 2,3% em 2025, o pior desde a pandemia, não surge do zero. Ele reflete um envolvente onde produzir, investir e empreender se torna cada vez mais dispendioso e perigoso.
A ironia é cruel: ao tentar recepcionar mais, o governo cria as condições para recepcionar menos no porvir.
E enquanto isso, o problema fiscal estrutural continua intocado. A Instituição Fiscal Independente, ligada ao Senado, foi clara: seria necessário um superávit primordial superior a 2% do PIB para estabilizar a dívida pública. O governo, no entanto, trabalha com metas modestas e soluções criativas — uma vez que puxar despesas para fora do resultado primordial e operar no limite subalterno do busto fiscal.
Traduzindo: o ajuste é mais contábil do que real.
E por que isso acontece? Porque trinchar gastos tem dispêndio político. Taxar, não — pelo menos no limitado prazo. É muito mais fácil anunciar a taxação de “super-ricos”, “bets” ou “big techs” do que enfrentar corporações públicas, rever privilégios ou reduzir o tamanho do Estado.
Mas essa escolha tem consequências. E elas já começam a nascer no humor da população. A pesquisa do Datafolha mostra aumento na percepção de piora econômica. Não é coincidência. O cidadão sente no preço, no consumo e nas oportunidades aquilo que o oração solene tenta suavizar.
Há também um componente de incoerência política difícil de ignorar. O mesmo campo político que historicamente criticava a “fardo tributária regressiva” agora amplia impostos indiretos e onera consumo e serviços. O oração era de justiça fiscal. A prática tem sido de voracidade arrecadatória.
E o mais curioso: mesmo com essa avalanche de medidas, o governo ainda acena com novas taxações — streaming, big techs, e o que mais nascer pela frente. A pergunta inevitável é: até quando?
Porque há um ponto em que o tributário não aguenta mais. E há outro em que o sufragista também não.
No término, o que se desenha é um cenário publicado — e perigoso. Um Estado que cresce sem controle. Um governo que prefere recepcionar a reformar. Uma economia que perde fôlego. E uma conta que, inevitavelmente, será empurrada para o próximo governo.
Uma petardo fiscal armada em câmera lenta.
A questão que fica é direta — e incômoda: se recepcionar mais nunca é suficiente, o problema está na falta de receita ou na incapacidade crônica de gastar melhor?
Veja também
Brasil,governo federalista,governo Lula,Lula
https://www.contrafatos.com.br/o-vicio-de-taxar-por-que-o-governo-nao-corta-gastos//Natividade/Créditos -> INFOMONEY









