Carlo Acutis, nascido em 3 de maio de 1991 em Londres, será canonizado neste domingo, 7, na Terreiro de São Pedro, no Vaticano. A celebração será conduzida pelo papa Leão XIV às 5h, no horário de Brasília, em conjunto com a canonização de Pier Giorgio Frassati. Acutis morreu em 2006, aos 15 anos, e se torna o primeiro santo da geração millennial, que reúne pessoas nascidas entre 1981 e 1996.
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Fruto de Andrea Acutis e Antonia Salzano, Acutis mudou-se para Milão ainda bebê. Seu pai, executivo bancário em Londres, assumiria mais tarde a presidência de uma seguradora. Embora a família não tivesse vida religiosa intensa, o fruto demonstrou desde cedo grande interesse pela fé católica. Aos sete anos, recebeu a primeira comunidade, passou a frequentar a missa diariamente e rezava o rosário com frequência.
Sua devoção era marcada pela Eucaristia, sacramento entendido pelos católicos porquê a presença real de Cristo no pão e no vinho consagrados. A mãe recorda que ele costumava manifestar: “Há filas na frente de um show, na frente de uma partida de futebol, mas não vejo essas filas na frente do Santíssimo Sacramento”.
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Fé, tecnologia e solidariedade
O interesse religioso levou Acutis a pedir visitas a locais ligados a santos e a milagres eucarísticos. Esse exemplo influenciou a própria família a retomar práticas católicas. A mãe chegou a matricular-se em curso de teologia para responder às perguntas do fruto.
Paralelamente, Acutis desenvolveu grande habilidade com computadores. Autodidata em programação e design gráfico, aos 11 anos começou um projeto de catalogação de milagres eucarísticos. Em pouco mais de dois anos, reuniu mais de 150 casos em um site traduzido para quase 20 idiomas, com mapas, vídeos e um museu virtual.
Mesmo imerso em tecnologia, mantinha disciplina pessoal. Jogava videogames, mas se limitava a uma hora semanal porquê forma de autocontrole místico. Também era reconhecido por gestos de solidariedade: defendia colegas vítimas de bullying, ajudava idosos e refugiados, comprava sacos de dormir para pessoas em situação de rua e oferecia espeque a pessoas com deficiência.
Doença e processo de canonização
Em outubro de 2006, Acutis apresentou sintomas semelhantes a uma gripe. Os médicos diagnosticaram leucemia mieloide aguda, tipo de cancro que afeta células sanguíneas e a medula óssea. Ele declarou que oferecia seus sofrimentos “ao papa Bento XVI e à Igreja”. Transferido para um hospital em Monza, sofreu hemorragia cerebral, entrou em coma e morreu em 12 de outubro de 2006. Seu funeral reuniu muitas pessoas que haviam recebido sua ajuda.
O processo de beatificação começou em 2012. Um ano depois, a Santa Sé aprovou a orifício solene. Em 2018, o papa Francisco o declarou “Venerável” e, em outubro de 2020, Acutis foi carola, depois do reconhecimento de um milagre. Em maio de 2024, um segundo milagre foi validado, o que permitiu sua canonização.
O primeiro milagre ocorreu no Brasil. Mattheus Vianna, nascido em 2009 com malformação pancreática, não conseguia digerir provisões sólidos. Durante missa em 12 de outubro de 2013, depois de tocar uma foto de Acutis, o menino disse que “queria poder parar de vomitar tanto”. Segundo o padre Nicola Gori, “a trato começou imediatamente, a ponto de a fisiologia do órgão em questão ter mudado”. Exames posteriores confirmaram a recuperação repentina.
O segundo milagre envolveu a costarriquenha Valeria Valverde, que sofreu traumatismo craniano em acidente de bicicleta em 2022. Depois de cirurgia de emergência, sua mãe rezou diante do túmulo de Acutis, em Assis. No mesmo dia, Valeria apresentou melhora súbita: voltou a respirar sozinha, movimentar-se e falar. Dez dias depois, exames mostraram desaparecimento da hemorragia cerebral.
Carlo Acutis, o ‘querubim da juventude’
Padre Ricardo Figueiredo, responsável do livro Não eu, mas Deus – biografia místico de Carlo Acutis, descreveu o jovem porquê exemplo para a atual geração. “Descobri Carlo quando o decreto de reconhecimento das virtudes heroicas foi publicado”, recordou. “Senti-me involuntariamente atraído pela história dele: ele nasceu em 1991, eu em 1990 e vi porquê ele era próximo de mim e de tantos jovens de hoje. É um padrão de porquê viver a vida cristã nos nossos dias.”
O sacerdote destacou a vida simples de Acutis, que jogava esfera, assistia a desenhos animados e brincava de videogame, mas mantinha, ao mesmo tempo, “o coração puro de atitudes que desagradassem a Deus”. Ele também chamou atenção para a seriedade do jovem: “Ele não faz ‘negociações’ para ser cristão, ele abraça a fé a sério e segue-a.”
Chamado por alguns de “gênio da informática”, Acutis produziu vídeos religiosos e até curtas com animais de estimação porquê protagonistas. Também alertava os colegas para os riscos do mau uso dos computadores. “Aplicou os conhecimentos e o paladar pelos computadores também na obra da evangelização”, destacou Figueiredo.
Durante a beatificação, o papa Francisco afirmou que sua história “mostra aos jovens de hoje que a verdadeira felicidade é encontrada colocando Deus em primeiro lugar e servindo-o em nossos irmãos, principalmente nos menores”.
Leia também: “Fé sem fronteiras”, item de Ana Paula Henkel publicado na Edição 239 da Revista Oeste
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