Os Estados Unidos são o terceiro maior parceiro mercantil do agro brasiliano, detrás da China e da União Europeia. Produtores nacionais estimam uma perda de até US$ 6 bilhões caso as vendas para o o mercado norte-americano diminuam por desculpa do tarifaço, que entrou em vigor na última quarta-feira, 6.
Diferentemente de outros países que buscaram o diálogo e souberam tutelar suas posições diante da decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, o Brasil, lamentavelmente, não se sentou à mesa para negociar de forma eficiente ou sequer digna. Na prática, abdicou de seu papel estratégico.
Sob comando do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, essa postura representa uma péssima prelecção de política externa, cujas consequências já se materializam. Não acredito que, a pequeno prazo, o moca e outros produtos atingidos terão suas tarifas reduzidas. Isso porque é evidente que Trump já discutiu com sua equipe econômica. Certamente, incluiu no pacote o que era de interesse prioritário dos norte-americanos, visando a resultados rápidos para sua economia interna.
+ Leia mais notícias de Agronegócio em Oeste
Não se trata de uma agressão à nossa soberania. A raiz desse problema reside, inegavelmente, na construção deteriorada da relação entre Lula e Trump. Desde a eleição do republicano, em novembro do ano pretérito, observamos uma série de comentários hostis e desnecessários tanto do petista quanto de de membros de seu governo.
Lula não se dignou a cumprimentar Trump depois da eleição norte-americana. Enviou somente um mero ofício ao Departamento de Estado, e não diretamente ao portanto presidente eleito. Somados a isso, os acenos contínuos à China e à Rússia e a persistente discussão sobre a moeda do Brics, configuram pequenas, mas acumuladas, ofensas diplomáticas que claramente irritaram a gestão dos EUA.
Lula, Trump e os impactos do tarifaço sobre o agro brasiliano
Sabemos que Trump é um patriótico, priorizando os interesses de seu país e de seus eleitores. O Brasil construiu uma relação ruim, resultando nas tarifas atuais. Volver essa situação exige grande esforço e tempo, sem garantia de que o gerente da Moradia Branca reconsiderará as sanções.
Leia mais:
Apesar da liberação de linhas de crédito subsidiadas e antecipação de créditos acumulados de ICMS por secção de alguns Estados, a grande questão é: uma vez que transformar essas medidas em refrigério real para produtores e exportadores do agro antes que a perda de competitividade se torne irreversível?
“O setor agropecuário brasiliano pode enfrentar um efeito dominó de cancelamento de contratos, retração da produção e a perda definitiva de seu espaço no mercado norte-americano”
Os benefícios concedidos de forma isolada, sem integração com regimes uma vez que Reintegra e Drawback, podem ser enquadrados pela Receita Federalista uma vez que subvenções vedadas, gerando aumento efetivo da trouxa de IRPJ e CSLL.
A urgência do cenário exige uma ação rápida e coordenada em frentes uma vez que câmbio, tributação e negócio. Sem isso, o setor agropecuário brasiliano pode enfrentar um efeito dominó de cancelamento de contratos, retração da produção e a perda definitiva de seu espaço no mercado norte-americano.
Leia também: “Lula e mais 50% de problemas”, cláusula de Adalberto Piotto publicado na Edição 278 da Revista Oeste
https://revistaoeste.com/agronegocio/o-peso-dos-eua-para-o-agro-brasileiro//Natividade/Créditos -> REVISTA OESTE






