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Diante da exiguidade dos remédios na rede pública, a família não teve outra opção senão recorrer à Justiça. Em março, uma decisão de segunda instância do TRF-3 obrigou a União a fornecer o tratamento de maneira imediata. Mesmo assim, o SUS não cumpriu a ordem. Larissa morreu 59 dias posteriormente a decisão judicial favorável — sem não receber a medicação.
Ministério da Saúde se esconde detrás de burocracia
A resposta do Ministério da Saúde ao caso é um retrato da burocracia que mata no Brasil. A pasta alegou ter “adotado todas as providências necessárias” e afirmou que, diante da indisponibilidade do medicamento, pediu autorização judicial para repositório em pensamento — mas não obteve resposta. Em outras palavras, enquanto papéis tramitavam, a paciente agonizava.
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Mais grave ainda: o Ministério tentou se eximir da responsabilidade ao declarar que o quadro galeno de Larissa não se enquadrava nas regras do SUS para o uso de blinatumomabe em casos de Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA). Porém, a própria decisão liminar do TRF-3 apontou que esse era, sim, o caso da paciente, cuja doença havia evoluído para Leucemia Mielóide Crônica (LMC) ainda na puerícia.
Esperança destruída: o relato de quem acompanhou Larissa
Enquanto o medicamento não chegava, Larissa seguiu submetida à quimioterapia. Com o corpo debilitado, contraiu uma infecção que acabou sendo irremissível. Murillo Barbosa relembrou o momento em que a paciente soube da decisão liminar favorável:
“Ela estava com tanta esperança dessa medicação chegar. Quando saiu a decisão, ela me ligou chorando, emocionada” — disse ele em entrevista ao Portal Metrópoles.
A esperança, no entanto, foi traída por um sistema de saúde que não consegue transformar decisões judiciais em ações concretas.
Falta estrutural: medicamentos aprovados, mas que não chegam ao paciente
O caso de Larissa não é só. A Associação Brasileira de Cancro do Sangue (Abrale) acionou o Ministério Público Federalista (MPF) e a Procuradoria-Universal da República para investigar falhas estruturais no entrada a tratamentos já aprovados pelo próprio Estado. O problema é sistêmico e crônico: mesmo posteriormente a aprovação pela Percentagem Vernáculo de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), a distribuição efetiva dos medicamentos sofre atrasos que podem insistir anos.
O prazo lítico para que um remédio incorporado chegue ao SUS é de 180 dias. Na prática, burocracias envolvendo processos de compra e atualização de diretrizes clínicas tornam esse prazo uma ficção.
Dispêndio supino e orçamento restringido: a equação que o SUS não resolve
Especialistas destacam que a imunoterapia utiliza tecnologia avançada capaz de fazer o próprio organização combater o tumor. O problema é que cada caixa do medicamento pode custar até R$ 43 milénio, e o orçamento restringido do SUS cria um gargalo logístico e financeiro que, na ponta, custa vidas.
É a velha incoerência de um sistema que incorpora medicamentos de supino dispêndio sem ter estrutura para comprá-los e distribuí-los com a urgência que o cancro exige.
Nota solene do Ministério da Saúde
O Ministério da Saúde divulgou a seguinte nota sobre o caso:
“O Ministério da Saúde adotou todas as providências necessárias para o cumprimento da decisão judicial que determinou a oferta do medicamento. Diante da indisponibilidade imediata do medicamento, a pasta solicitou autorização judicial para realização do repositório judicial, mas não obteve resposta. O blinatumomabe foi incorporado ao SUS para indicações específicas relacionadas à Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), não abrangendo o quadro galeno da paciente mencionada.”
“Com a Portaria da Assistência Farmacêutica Oncológica (AF-Onco), publicada em outubro de 2025, o Ministério da Saúde está acelerando o entrada dos pacientes aos medicamentos ao reformar a logística de distribuição, com sistemas integrados entre estados e municípios, obtenção centralizada e rastreabilidade de estoques. Com investimento de R$ 2,2 bilhões, a iniciativa ampliará em 35% a oferta de medicamentos para o tratamento do cancro. Ao todo, serão incorporados gradualmente 23 novos fármacos de supino dispêndio, beneficiando muro de 112 milénio pacientes.”
Promessas para o horizonte, no entanto, não devolvem a vida de Larissa Amorim nem consolam os dois filhos que ficaram órfãos de mãe por razão da lentidão de um sistema que deveria protegê-los.
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https://www.contrafatos.com.br/jovem-morre-de-cancer-apos-sus-falhar-em-entregar-medicamento-mesmo-com-ordem-judicial//Nascente/Créditos -> CONTRA FATOS
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