O relatório diz ainda que os agentes federais resistiram às orientações dos policiais paulistas e seguiram determinações de integrantes do PT.
As condutas teriam obrigado uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). O tribunal autorizou a revelação de espeque a Lula e Fernando Haddad, mas impôs restrições ao bloqueio das vias, para prometer a circulação de veículos e os trabalhos da Justiça Eleitoral.
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Justiça Eleitoral autorizou a jornada, mas limitou o bloqueio das vias
Em 1º de outubro, a juíza Maria Cláudia Bedotti, do TRE-SP, concedeu parcialmente uma liminar à coligação Desperta São Paulo. O grupo é formado por partidos de esquerda, entre eles PT, PSB, PDT e PSOL.
A coligação havia recorrido à Justiça contra uma lei da Subprefeitura da Sé. Segundo os organizadores, a medida inviabilizaria o trajeto previsto para a jornada.
A magistrada autorizou a revelação, prevista para ocorrer entre 10h e 13h, com deslocamento pela Rua Augusta em direção ao núcleo da capital. Estabeleceu, porém, condições para preservar a circulação de veículos na Avenida Paulista, na Rua Augusta e nos respectivos acessos.
Entre as determinações estavam o cumprimento das orientações operacionais da PM e da Companhia de Engenharia de Tráfico (CET). Também foi proibida a instalação de estruturas que comprometessem o transporte de urnas eletrônicas, equipamentos e servidores da Justiça Eleitoral.
Coronel contratado pelo PT teria exigido o fechamento da Paulista
O relatório também aponta a atuação do coronel da suplente da Polícia Militar do Região Federalista Rogério Brito de Miranda, ex-integrante do GSI contratado pela campanha presidencial do PT. De combinação com o documento, ele teria exigido o fechamento da Paulista e tentado impor as determinações do órgão federalista à PM paulista.
Os primeiros conflitos ocorreram em 2 de outubro, durante uma reunião de planejamento no 8º Batalhão de Polícia do Tropa, em São Paulo. Participaram representantes dos órgãos responsáveis pela segurança e pelo trânsito. O encontro tratou das medidas necessárias à participação de Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin na revelação.
Segundo o relatório, Miranda exigiu o fechamento inesperado da Avenida Paulista. Oficiais da PM paulista se opuseram, citando as restrições impostas pela Justiça Eleitoral. O coronel teria respondido que a segurança do evento estava sob responsabilidade do GSI e que a PM deveria seguir as determinações do órgão federalista.
Ocorre que o coronel já não integrava o GSI desde agosto de 2026. Na ocasião, atuava uma vez que contratado da campanha presidencial do PT. Conforme o relatório, o próprio militar confirmou a informação durante a revelação, em enunciação registrada por uma câmera corporal da PM.
GSI instalou grades apesar da resistência da PM
Na manhã de 3 de outubro, por volta das 9h, policiais militares paulistas encontraram integrantes do GSI instalando grades para bloquear duas faixas da Avenida Paulista. Isso ocorreu antes mesmo do início solene da jornada.
Um militar identificado uma vez que major Eliezer teria dito que faria o fechamento. Ele também teria orientado o solene da PM a procurar um comandante chamado Sobral ou o coronel Miranda. Mesmo depois de informados da decisão judicial, os integrantes do GSI teriam insistido no bloqueio.
O relatório sustenta que a conduta dos militares federais indicava que eles seguiam orientações da organização da campanha, em vez de respeitar as determinações da PM responsável pelo policiamento ostensivo. Os episódios foram descritos com base nas gravações das câmeras corporais dos policiais militares que acompanharam a revelação.
Documento relata hostilidade contra os militares
A atuação da Polícia Federalista também foi questionada no relatório. Segundo a PM, uma viatura federalista foi posicionada diante de um caminhão de som e impediu que o veículo fosse movimentado conforme as orientações dos policiais paulistas.
O documento relata resistência à retirada dos caminhões e atribui a integrantes da organização do evento episódios de hostilidade contra os militares.
O legista Marco Aurélio Roble, indigitado uma vez que um dos responsáveis pela organização da jornada, teria dirigido ofensas a uma solene da PM durante as tentativas de liberar a passagem dos veículos. Em uma gravação feita às 10h27, um coordenador da campanha teria reagido à ordem de deslocamento com a sentença: “Descer o caralho”.
Imagem de câmera corporal de PM mostra bloqueio realizado pela PF e GSI em ato do Lula na Paulista – Foto: Oeste
Relatório foi enviado ao TRE-SP
O relatório foi guiado ao TRE-SP por meio da enxovia de comando da Polícia Militar. O objetivo é que o tribunal tome conhecimento e adote as providências cabíveis diante do provável descumprimento da decisão da juíza Maria Cláudia Bedotti.
As acusações constam de um documento administrativo solene e ainda dependem de apuração pelas autoridades competentes. Os documentos analisados não apresentam as versões do GSI, da Polícia Federalista nem dos organizadores citados. A reportagem procura esclarecimentos dos envolvidos sobre os episódios relatados.
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