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Um levantamento com dados do Orçamento da União revela que tapume de R$ 1,6 trilhão em despesas sujeitas ao busto já ultrapassam o limite previsto para 2026. Isso representa 68% dos R$ 2,3 trilhões submetidos à regra. Não é um ramal marginal. É um estouro generalizado.
E é aí que a história complica.
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O Pé-de-Meia lidera o festival. O programa educacional do governo saltou de R$ 1 bilhão para R$ 10,4 bilhões — um aumento de 903%. Não é erro de digitação. Novecentos e três por cento. O Ministério da Instrução ainda planeja ampliar o favor para todos os estudantes do ensino médio. Por fim, por que se preocupar com limites fiscais quando se pode comprar popularidade com o moeda do tributário?
Mas o Pé-de-Meia não está sozinho. A lista de despesas que avançam muito além do teto do busto é longa e reveladora:
- Estruturação de unidades de atenção especializada em saúde: subida de 123%, para R$ 7,93 bilhões
- Programa de Garantia da Atividade Agropecuária: progressão de 26%, para R$ 6,62 bilhões
- Auxílio Gás: prolongamento de 25%, para R$ 4,58 bilhões
- Subvenção econômica para investimentos rurais e agroindustriais: expansão de 18%, para R$ 7,19 bilhões
- Programa Pátrio de Sustento Escolar: subida de 18%, para R$ 6,85 bilhões
- Programa Pátrio de Fortalecimento da Cultura Familiar: prolongamento de 12%, para R$ 9,55 bilhões
- Obtenção e distribuição de imunobiológicos: progressão de 10%, para R$ 10,32 bilhões
Agora compare. O busto fiscal permite prolongamento real de 2,5%. Os números supra variam de 10% a 903%. Alguma coisa não fecha — e não é a calculadora.
A pergunta que ninguém faz é simples: para que serve um limite fiscal que não limita zero?
O governo criou o busto para substituir o teto de gastos, que era rígido demais para o gosto gastador da gestão Lula. A promessa era que a novidade regra seria mais maleável, porém responsável. Dois anos depois, o que se vê é flexibilidade totalidade e responsabilidade zero.
Cada programa que estoura o teto reduz o espaço para outras despesas. É uma matemática implacável que o Ministério da Quinta conhece muito, mas finge não ver. Fernando Haddad afirma que trabalha para controlar as despesas e reduzir o déficit. Os números do próprio Orçamento, porém, dizem o contrário.
Não é coincidência. É padrão.
O governo Lula trata o busto fiscal porquê trata tantas outras regras: um enfeite institucional para acalmar o mercado enquanto a máquina pública se expande sem freio. O salário mínimo com reajuste real pressiona a Previdência. Os programas sociais se multiplicam e se inflam. Os gastos obrigatórios — previdência, salários, benefícios — já consomem quase tudo e têm margem de incisão próxima de zero.
E quando tudo estourar, a culpa será de quem? Do mercado, da oposição, da legado maldita, do clima, dos juros — de qualquer coisa, menos das decisões do próprio governo.
Um país que cria regras fiscais para descumpri-las não tem regras fiscais. Tem ficção contábil. E ficção, porquê qualquer leitor sabe, tem prazo de validade. O do busto de Lula já venceu.
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https://www.contrafatos.com.br/gastos-do-governo-ja-passam-de-r-16-trilhao-e-o-limite-fiscal-ficou-para-tras//Manancial/Créditos -> CONTRA FATOS
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