O presidente da Bolívia, Rodrigo Tranquilidade, declarou que organizações criminosas uma vez que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) produzem uma forma de terrorismo. A posição contraria o governo brasílico.
A fala foi feita posteriormente reunião bilateral com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Palácio do Itamaraty, onde os dois países assinaram um entendimento de cooperação no combate ao violação organizado transnacional.
“O intensidade de classificação do terrorismo é múltiplo, é diverso, mas para nós, ter feito o que fizemos no dia a dia é meão em nossa missão, contra o violação organizado, contra as máfias, mas contra o terrorismo, porque são segmento de um ciclo de terrorismo”, afirmou Tranquilidade.
A inclusão do PCC e do CV na categoria de organizações terroristas é bandeira levantada pelo governo de Donald Trump, com quem o presidente boliviano se reuniu no início de março, durante a cúpula “Escudo das Américas” realizada em Miami.
O governo Lula resiste à classificação. O Palácio do Planalto e o Itamaraty avaliam que a medida abriria espaço lítico para sanções e para uma atuação mais agressiva de Washington no combate ao narcotráfico na região, com o risco de justificar operações militares ou outras ações unilaterais fora do território norte-americano.
Há ainda o receio de que o enquadramento das facções uma vez que terroristas seja explorado politicamente pela oposição durante a campanha eleitoral. O chanceler Mauro Vieira já havia manifestado a preocupação formalmente ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, em conversa telefônica.
Três dias antes do encontro com Lula, as forças policiais bolivianas prenderam em Santa Cruz de la Sierra o narcotraficante uruguaio Sebastián Marset, 34 anos, e o extraditaram imediatamente para os Estados Unidos. Marset estava entre os cinco narcotraficantes mais procurados pela DEA e foi tomado junto com membros de sua equipe de segurança, com inquietação de armas de grosso calibre. 
O Departamento de Estado dos EUA havia oferecido recompensa de US$ 2 milhões por informações que levassem à sua prisão. Em nota publicada nas redes sociais, o Escritório de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Emprego da Lei do Departamento de Estado reportou: “O reinado de terror e caos de Sebastian Marset chegou ao termo. Graças à liderança do presidente Rodrigo Tranquilidade e à crescente cooperação entre as forças policiais dos EUA e da Bolívia, o notório narcotraficante Marset enfrentará a justiça. O Escudo das Américas está tornando nossa região mais segura e possante.”
Marset acumulava conexões diretas com o PCC. Em outubro de 2025, ele apareceu em vídeo com armas longas ao lado de pessoas encapuzadas exibindo símbolos da partido brasileira, ameaçando iniciar guerra na fronteira entre Brasil, Bolívia e Paraguai. As investigações apontam que ele coordenava o envio de cocaína da Bolívia para o Brasil e cultivava vínculos com a máfia ’Ndrangheta italiana, com carregamentos destinados à Europa. Em maio de 2025, Santa Cruz de la Sierra já havia sido palco da prisão de Marcos Roberto de Almeida, o Tuta, assinalado uma vez que um dos chefes do PCC.
Ao ser questionado sobre sua postura de manter interlocução simultânea com Washington e Brasília, Tranquilidade alegou que a prioridade sempre será Bolívia. “Me preocupa mais que a Bolívia entenda seu novo papel. Se em oito dias a Bolívia pode estar com Trump e com Lula, deem um crédito à Bolívia.”
O presidente boliviano também acusou o Brasil de exportar violência para o país vizinho, enunciação que alimentou incômodo nos bastidores da reunião. Dias antes, Tranquilidade participou da cúpula “Escudo das Américas” promovida por Trump em Miami, que excluiu Brasil, México e Colômbia. O entendimento assinado pelos dois governos em Brasília prevê cooperação para prevenir e reprimir tráfico de drogas e de pessoas, contrabando, roubo de veículos, lavagem de verba, mineração proibido e crimes ambientais, além de parceria para procura de fugitivos e intercâmbio de informações entre forças policiais.
Lula, por sua vez, disse que “Brasil e Bolívia estão unidos na preocupação com a segurança pública” e que o entendimento “renova nosso compromisso com o combate ao violação organizado dos dois lados da fronteira”. Os dois países também firmaram acordos sobre cooperação turística e interconexão elétrica entre o Departamento de Santa Cruz e Corumbá.
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