Banco projeta manutenção de déficits elevados e critica busto fiscal brasiliano
Um relatório do Goldman Sachs, divulgado em seguida a publicação das estatísticas fiscais pelo Banco Mediano do Brasil (BC) na sexta-feira, 30, apontou que o déficit fiscal brasiliano deve permanecer em níveis elevados nos próximos anos. Segundo o banco, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstra “aversão a controle de gastos”.
De consonância com os dados analisados, o déficit nominal do setor público consolidado, que soma o resultado primordial e o pagamento de juros, alcançou 8,34% do Resultado Interno Bruto (PIB) no aglomerado de 12 meses em 2025, superando novamente a marca de 8%.
Resultado primordial negativo e desempenho de dezembro
No mesmo período, o resultado primordial consolidado ficou negativo em 0,43% do PIB. Já no mês de dezembro, o setor público registrou superávit de R$ 6,3 bilhões. Apesar de o número ter superado as expectativas do mercado, ficou aquém do resultado observado em dezembro de 2024.
Para o Goldman Sachs, o desempenho reforça a avaliação de que o governo não demonstra disposição consistente para moderar despesas, mesmo diante do progressão do déficit nominal.
Críticas ao busto fiscal
O relatório também traz críticas diretas ao busto fiscal adotado pelo governo. O banco classificou o regime uma vez que fraco e pouco confiável, apontando que ele contribuiu para vangloriar os prêmios de risco e dificultar a ancoragem das expectativas de inflação no limitado e médio prazos.
O busto fiscal substituiu o Teto de Gastos, que vigorou por quase uma dezena, e foi implantado em 2023. Diferentemente do protótipo anterior, ele não está mais vinculado unicamente à inflação, mas também ao propagação da arrecadação e às metas de resultado primordial.
Pelas regras atuais, as despesas podem crescer em termos reais entre 0,6% e 2,5% ao ano, a depender do desempenho da receita.
Segundo o Goldman Sachs, na exiguidade de superávits primários sustentados e superiores a 2% do PIB, a dívida pública brasileira não deverá entrar em uma trajetória estrutural de queda.
Dívida pública segue em subida
O relatório também analisou a evolução da dívida do governo. Em 2025, a dívida bruta encerrou o ano em 78,7% do PIB, supra dos 71,7% registrados ao final de 2022. Pelo critério do Fundo Monetário Internacional (FMI), que inclui títulos na carteira do BC, a dívida alcança 93,4% do PIB.
A dívida bruta do governo universal corresponde ao totalidade das obrigações do setor público, sem descontar ativos a receber, e inclui títulos públicos, além de débitos de Estados e municípios. Segundo o banco, essa dívida deve continuar crescendo “no porvir previsível”.
Juros elevados e riscos inflacionários
Por término, o Goldman Sachs destacou que não espera uma queda relevante dos juros no limitado prazo. A avaliação é de que o Banco Mediano deve manter postura cautelosa diante da taxa de desemprego em níveis historicamente baixos e do propagação real dos salários.
Na estudo do banco, a combinação desses fatores tende a gerar pressões de custos, principalmente em setores intensivos em mão de obra, uma vez que serviços, elevando os riscos inflacionários nos próximos períodos.
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