Havia ainda uma competição sádica entre os atiradores. “Ugljen também escreveu que os estrangeiros competiam para ver quem conseguia atirar nas mulheres mais bonitas”, disse Margetic ao jornal “The Times”, de Londres (Inglaterra).
Relatório de lucidez bósnio é a base da obra
A principal manadeira do livro é um relatório de lucidez produzido pelo agente bósnio Nedzad Ugljen, morto em 1996. Em seus registros, Ugljen documentou informações coletadas junto a membros da milícia sérvio-bósnia, incluindo uma revelação particularmente perturbadora: um membro de realeza europeia teria translato entre os atiradores.
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“Muitos deles me disseram que um membro de realeza europeia estava entre os atiradores. Ele chegava de helicóptero, ficava em Vogosca, perto de Sarajevo, e queria atirar em crianças”, disse Ugljen.
Conflito nos Bálcãs deixou 11 milénio mortos só em Sarajevo
O cerco a Sarajevo foi um dos episódios mais trágicos do conflito nos Bálcãs, resultando na morte de 11 milénio pessoas exclusivamente na capital bósnia.
Documentário de 2022 deu início às investigações
As apurações sobre esses episódios brutais ganharam impulso com o lançamento do documentário “Sarajevo Safari”, produzido em 2022 pelo cineasta Miran Zupanič. A produção revelou que entusiastas de armas provenientes da Rússia, dos EUA, do Canadá e de outros países viajavam à capital bósnia para atirar em civis por diversão, desembolsando quantias ainda maiores quando pretendiam branquear crianças e outros moradores da região.
Itália abriu investigação sobre participação de turistas
A Procuradoria de Milão (Itália) instaurou uma investigação diante da suspeita de que turistas italianos tenham pago até US$ 120 milénio para participar dos “safáris humanos” durante o cerco a Sarajevo. Conforme o “Daily Mail”, a denúncia foi apresentada pelo jornalista e jornalista Ezio Gavazzeni, com pedestal do ex-magistrado Guido Salvini e da ex-prefeita de Sarajevo Benjamina Karic.
Os documentos apontam que os participantes teriam firmado acordos com o tropa sérvio-bósnio, liderado por Radovan Karadžić, réprobo em 2016 a 40 anos de prisão por genocídio e crimes contra a humanidade.
Rota de viagem e ligações com a extrema-direita
As investigações indicam que os turistas, supostamente vinculados a círculos de extrema-direita, partiam de Trieste rumo a Belgrado pela companhia aérea sérvia Aviogenex. Uma vez no rumo, pagavam militares para participar de “fins de semana de tiro”. O homicídio de crianças tinha dispêndio mais ressaltado, conforme revelou o jornal “El País”.
Mulheres correm por rua de Sarajevo durante troada — Foto: AFP
Origem do esquema não foi na Sérvia
Apesar de os turistas efetuarem pagamentos a guias sérvios, a concepção do “safári humano” não nasceu na Sérvia. A teoria teve origem na Croácia, envolvendo Zvonko Horvatincic, que atuou para as forças de lucidez iugoslavas na Croácia antes das guerras da dezena de 1990.
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