Rombo fiscal reunido em 12 meses bate recorde histórico de R$ 1,218 trilhão, impulsionado por juros elevados e déficit primitivo crescente
Por ContraFatos 04/05/2026 Atualizado em 04/05/2026
Déficit nominal das contas públicas nunca foi tão cimo desde o início da série do Banco Médio em 2002
O cenário das finanças públicas brasileiras alcançou um patamar inédito. O déficit nominal reunido em 12 meses até março chegou a R$ 1,218 trilhão, consolidando o maior valor desde que o Banco Médio começou a registrar essa série, em 2002.
Sete meses consecutivos supra de R$ 1 trilhão
O rombo fiscal já ultrapassa a marca de R$ 1 trilhão há sete meses seguidos e apresenta trajetória de desenvolvimento ininterrupto há nove meses. Dois fatores principais explicam o resultado: o peso dos juros da dívida pública, que atingiram R$ 1,080 trilhão no período, e o saldo negativo nas contas primárias do governo.
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Déficit primitivo mais que vinco em relação a fevereiro
Quando se exclui o pagamento de juros da conta, o chamado déficit primitivo somou R$ 137,1 bilhões nos 12 meses encerrados em março. O número representa mais que o duplo do registrado no mês anterior, quando o indicador marcava R$ 52,8 bilhões.
Para entender a diferença: o resultado primitivo mostra se o governo arrecada mais do que gasta, sem considerar juros. Já o resultado nominal incorpora esses custos financeiros e revela o impacto real sobre o endividamento do país.
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Março registrou déficit primitivo de R$ 80,7 bilhões
Isoladamente, o mês de março apresentou um déficit primitivo de R$ 80,7 bilhões no setor público consolidado. O governo medial foi o principal responsável, respondendo por R$ 74,8 bilhões desse totalidade. Estados e municípios contribuíram com R$ 5,4 bilhões em saldo negativo, enquanto as estatais registraram déficit de aproximadamente R$ 500 milhões.
Juros da dívida disparam e pressionam resultado
Os gastos com juros no mês de março alcançaram R$ 118,9 bilhões, um salto significativo em verificação com os R$ 75,2 bilhões apurados no mesmo mês do ano anterior. Esse progressão está diretamente relacionado ao patamar ainda proeminente da taxa Selic, que, mesmo em seguida uma ligeiro redução recente, continua encarecendo significativamente a dívida pública e pressionando o resultado nominal das contas do governo.