Emprego bilionária em banco investigado gerou reação imediata entre desembargadores
Uma decisão individual do presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão provocou potente desconforto interno na Golpe. O desembargador Froz Sobrinho, que comanda o Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão, autorizou a transferência de aproximadamente R$ 2,8 bilhões em depósitos judiciais para o Banco de Brasília (BRB).
A movimentação foi feita sem consulta prévia aos demais magistrados e só veio a público nesta semana. Até portanto, os recursos estavam alocados no Banco do Brasil, responsável histórico pela gestão desses valores.
Segundo Froz Sobrinho, a mudança foi motivada exclusivamente por critérios financeiros. O presidente do TJ-MA afirmou que o BRB teria apresentado uma rentabilidade mensal estimada em R$ 15 milhões, enquanto a instituição anterior rendia murado de R$ 3 milhões por mês.
Histórico do banco acendeu alerta na Golpe
O clima de tensão se intensificou quando desembargadores relembraram o envolvimento recente do BRB em investigações. A Polícia Federalista apura aportes feitos pela instituição no Banco Master, ligado ao empresário Daniel Vorcaro e posteriormente liquidado pelo Banco Meão.
A revelação desse contexto aumentou a resistência interna à operação, principalmente pelo volume significativo dos recursos judiciais transferidos e pela pouquidade de deliberação colegiada.
Sessão termina em embate entre magistrados
O matéria dominou a sessão do Órgão Próprio do TJ-MA realizada na última quarta-feira, 28. Na tentativa de esclarecer a decisão e dividir responsabilidades, Froz Sobrinho convocou os colegas para apresentar os fundamentos da emprego e discutir os próximos passos.
A iniciativa, no entanto, acabou em confronto direto com o desembargador Paulo Velten. Durante a reunião, Velten interrompeu a fala do presidente e recusou participar de qualquer encontro com representantes do banco.
“Eu vejo porquê indevida essa convocação do tribunal para participar disso agora, porque a decisão dessa transmigração foi de Vossa Primazia”, disse Velten. “Vossa Primazia não submeteu ao colegiado. Eu não me sinto responsável por essa decisão. Já aviso Vossa Primazia que eu estou fora.”
Diante da reação, Froz Sobrinho rebateu, afirmou que não se tratava de convocação, mas de um invitação, e sustentou que o ato foi lícito. “A gestão do quantia é um risco”, argumentou. “É um risco do gestor. O risco é meu.”
Presidência buscou pedestal extrínseco posteriormente a crise
Durante a mesma sessão, o presidente do TJ-MA informou que a gestão adotou medidas complementares posteriormente a repercussão negativa. Entre elas, o envio de um ofício à seccional maranhense da Ordem dos Advogados do Brasil para colher a avaliação da advocacia sobre os serviços prestados pelo BRB.
Aliás, Sobrinho solicitou informações internas detalhadas sobre a realização do contrato firmado com a instituição financeira, numa tentativa de substanciar a transparência do processo posteriormente a reação sátira dos pares.
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