Ministro Flávio Dino ordena investigação da PF sobre suposta vaga de ataques a imagens religiosas com base em relatos vagos recebidos pelo STF
Por ContraFatos 30/09/2026 Atualizado em 30/09/2026
Ministro do STF determina apuração pela PF e PGR com base em relatos vagos sobre episódios envolvendo símbolos religiosos
Em uma decisão que levanta questionamentos sobre a consistência das evidências apresentadas, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federalista (STF), determinou nesta quarta-feira, 30, que a Polícia Federalista e a Procuradoria-Universal da República (PGR) abram investigação sobre uma suposta “aparente vaga de ataques” contra imagens religiosas em diferentes regiões do país nos últimos meses.
O que labareda a atenção é o contexto em que a ordem foi dada. A formalidade ocorreu no mesmo processo em que Dino, no último domingo, cassou uma decisão do vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro André Mendonça. A decisão cassada estava relacionada a publicações que associavam o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, a um projeto de lei que previa a retirada de Nossa Senhora Aparecida do posto de padroeira do Brasil.
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Relatos recebidos “por vários meios” fundamentam a decisão
Segundo o próprio Dino, em seguida anular a decisão de Mendonça, ele teria recebido “por vários meios” informações sobre episódios envolvendo imagens religiosas em diferentes partes do território vernáculo. Uma dessas comunicações, conforme relatado, foi encaminhada pelo decano do STF, ministro Gilmar Mendes.
A fragilidade aparente dos elementos que sustentam a formalidade não impediu o ministro de pintar um cenário alarmista. Dino afirmou: “Temos um quadro bastante grave, em que existem indícios de crimes variados, tais porquê: ultraje a ilustrado, na modalidade vilipêndio; preconceito religioso; violência contra práticas religiosas; injúria qualificada por elemento religioso; prenúncio, rapina, dano, incêndio e violação de residência”.
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Decisão coincide com julgamento no TSE sobre caso Flávio Bolsonaro
Não passa despercebido o timing da medida. Enquanto Dino movimenta a máquina investigativa federalista com base em relatos cuja solidez ainda precisa ser comprovada, o TSE analisa, em plenário virtual, justamente o caso das publicações que vinculam Flávio Bolsonaro ao projeto de lei sobre Nossa Senhora Aparecida. A sobreposição entre os temas levanta dúvidas sobre até que ponto a narrativa de uma “aparente vaga de ataques” não estaria sendo instrumentalizada no contexto eleitoral.
O ministro classificou o conjunto de informações recebidas porquê um quadro que exige investigação imediata, determinando que a PF e a PGR apurem os fatos e identifiquem eventuais responsáveis pelos supostos ataques. Resta saber se as evidências concretas justificarão o rebate propagado ou se tudo não passará de mais uma narrativa amplificada sem lastro factual consistente.