A fake news ganhou tração depois de ser endossada por Maria Cristina Fernandes, colunista do jornal Valor e comentarista da GloboNews, durante o programa GloboNews Em Tarifa, na noite de quinta-feira, 24. Em sua fala, Fernandes afirmou: “Tem um movimento na Igreja Católica de reação a uma parcela de evangélicos que está mobilizando um projeto de lei para tirar a Nossa Senhora de Aparecida da requisito de padroeira, que pode, sim, surtir efeito entre os católicos em prol do Lula.”
Retratação veio — mas o estrago já estava feito
No programa Edição da Meia-Noite, a própria emissora desmentiu a informação e apresentou um pedido de desculpas. Flávio Bolsonaro reagiu ao desmentido em suas redes sociais com indignação:
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“Mundo News se retratando pela MENTIRA de que haveria um ‘movimento’ para tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O projeto SEQUER EXISTE! Fiquem espertos, pois a máfia do pt vai espalhar várias mentiras ao longo de todos os dias até as eleições.”
Apesar da retratação, alguns opositores do senador seguem disseminando a informação falsa, na expectativa de desgastá-lo com o eleitorado católico.
O oportunismo de Tebet
É nesse contexto de desinformação já desmentida que Simone Tebet decidiu entrar em cena. A ex-ministra compartilhou uma retrato sua no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP), acompanhada da frase: “Que Nossa Senhora Aparecida proteja o Brasil.”
A postagem, aparentemente inofensiva, foi publicada no exato momento em que o tema estava entre os mais comentados no X justamente por razão da fake news. Difícil crer em coincidência. Trata-se de um movimento claramente calculado para capitalizar em cima de uma moca que já havia sido corrigida publicamente.
Desinformação uma vez que tribuna
O incidente levanta questões incômodas. Se Tebet sabia que a informação era falsa — e a essa profundidade seria negligência não saber —, a postagem não passa de um gesto oportunista que se beneficia indiretamente da disseminação de uma fake news. Ao invés de contribuir para esclarecer o público, a candidata preferiu surfar na vaga da desinformação para projetar uma imagem religiosa útil em plena campanha eleitoral.
É o tipo de atitude que, embora não configure ilegalidade, revela um operação político que instrumentaliza até a fé para fins eleitorais — alguma coisa que deveria incomodar qualquer sufragista, independentemente de posição ideológica.