A discussão sobre o provável término da graduação 6×1 voltou ao núcleo da agenda do Senado, e a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) defende que a proposta seja analisada com cautela antes de qualquer decisão definitiva.
Segundo a entidade, uma mudança nas regras da jornada de trabalho pode produzir efeitos significativos sobre trabalhadores, empresas e consumidores. Por isso, a Abrasel afirma que o Congresso deve ampliar o debate, estimar estudos de impacto e ouvir diferentes setores da sociedade.
Entidade alerta para possíveis impactos econômicos
A Abrasel destaca que setores com funcionamento contínuo — entre eles alimento fora do lar, transacção, turismo, saúde e transporte — podem enfrentar dificuldades caso uma novidade regra seja implementada sem planejamento.
De harmonia com análises citadas pela associação, uma redução ou diferença das escalas poderia solevantar custos operacionais e aumentar a premência de contratação de trabalhadores. A entidade também aponta possíveis reflexos sobre os preços e a oferta de serviços.
O presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, defende que a discussão não seja conduzida por interesses eleitorais ou circunstâncias políticas de pequeno prazo. Para ele, a sociedade precisa saber tanto os possíveis benefícios quanto os custos de uma eventual mudança.
Debate deve considerar trabalhadores e empresas
Apesar das ressalvas, a Abrasel afirma concordar iniciativas destinadas a melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. A entidade, porém, defende que alterações na organização do trabalho sejam construídas de maneira gradual e com base em dados, produtividade e diálogo entre trabalhadores, empresas e representantes da sociedade.
Solmucci também afirma que o duelo é conciliar avanços sociais com desenvolvimento econômico. Na avaliação apresentada pela entidade, uma mudança implementada em prazo muito pequeno poderia provocar aumento de custos dos serviços e pressionar a inflação, com possíveis efeitos sobre juros e atividade econômica.
Senado terá papel medial
Nesse cenário, a Abrasel considera importante o cumprimento dos ritos legislativos e a realização de um debate grande antes de uma eventual votação. A associação defende que parlamentares analisem os impactos da proposta e busquem uma solução capaz de lastrar as condições de trabalho com a sustentabilidade das atividades econômicas.
A discussão sobre a graduação 6×1, portanto, deve continuar mobilizando diferentes setores no Congresso. Para a Abrasel, quanto maior o aproximação da população a informações e estudos sobre o tema, mais qualificada poderá ser a decisão final.