Juiz Humberto Otazú determinou que o ex-presidente Santiago Peña fique retido em unidade militar em Assunção, em investigação sobre o colapso do Ueno Bank.
Por ContraFatos 07/11/2026 Atualizado em 07/11/2026
Ex-presidente ficará retido em unidade militar em Assunção; Ministério Público o acusa de crimes ligados ao colapso do banco
A Justiça do Paraguai decretou, neste sábado (7), a prisão preventiva do ex-presidente Santiago Peña. O juiz Humberto Otazú determinou que ele permaneça no Regimento de Escolta Presidencial, unidade militar localizada em Assunção. A medida faz segmento da investigação sobre o colapso do Ueno Bank, instituição financeira que administrava recursos públicos e atendia milhões de clientes.
Acusações do Ministério Público
O Ministério Público acusou Peña de lesão de crédito e gestão em proveito próprio. Segundo a denunciação, ele teria usado o missão de presidente para influenciar decisões de órgãos públicos e empresas estatais. Esses entes mantiveram depósitos e recursos no banco, apesar dos vínculos anteriores de Peña com o grupo controlador da instituição.
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O juiz justificou a prisão preventiva pela urgência de prometer que o ex-presidente permaneça no país durante o processo. Também levou em conta as informações às quais Peña teve entrada enquanto ocupava a Presidência, inclusive sobre o sistema financeiro e o transgressão organizado.
Resguardo nega irregularidades
Peña compareceu neste sábado à sede do Ministério Público para prestar esclarecimentos. Escoltado do jurisconsulto Ricardo Preda, optou por permanecer em silêncio durante o procedimento judicial.
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A resguardo negou as acusações. Preda afirmou que o ex-presidente vai colaborar com a investigação e disse esperar que o processo termine com o arquivamento do caso.
Saída da Presidência
Peña deixou a Presidência do Paraguai na sexta-feira (6), depois de o Senado assinar sua destituição em meio à crise envolvendo o Ueno Bank. O vice-presidente, Pedro Alliana, assumiu o comando do país e permanecerá no missão até o termo do procuração.
Investigação envolve recursos públicos
O Ministério Público do Paraguai apura a relação entre Peña e o grupo empresarial ligado ao Ueno Bank. O ex-presidente foi acionista da Ueno Holding, empresa controladora da instituição financeira, até março de 2025.
Os investigadores suspeitam que órgãos públicos e fundos previdenciários mantiveram ou ampliaram depósitos no banco durante o governo de Peña.
O Banco Mediano do Paraguai interveio no Ueno Bank no início de novembro, depois de identificar problemas nos índices de solvibilidade da instituição. A crise comprometeu o entrada de milhões de clientes às próprias contas. As autoridades passaram a organizar a reembolso de recursos por meio do sistema de garantia de depósitos.
Ex-presidente do Banco Mediano também é criminado
O ex-presidente do Banco Mediano Carlos Carvallo também foi criminado no caso. O Ministério Público atribui a ele suspeitas de lesão de crédito, produção de documentos públicos com teor falso e gestão em proveito próprio. A Promotoria pediu a prisão preventiva de Carvallo, mas a Justiça ainda não deliberou sobre o tema.
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