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Releia a frase. “No governo do Lula.” Alguém pensou em não reajustar. Quem, exatamente? O presidente não diz. Também não explica porquê o superintendente do Executivo desconhecia o valor de uma das vitrines de sua gestão, que ele mesmo recolocou no nome de Bolsa Família ao tomar posse em 2023.
Mas há um pormenor.
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O pacote chegou antes da votação. Reajuste de 15%, novo Desenrola 3.0 para renegociar dívidas, perdão de dívidas de microempreendedores individuais, uma Medida Provisória que proíbe as bets e os jogos de cassino on-line, e uma PEC que garante transporte público gratuito aos fins de semana. Tudo em poucos dias, tudo com faceta de campanha.
O favor mínimo passará de R$ 600 para R$ 691, e o pagamento médio chegará a R$ 777. O aumento começa a ser pago em 19 de outubro, antes do segundo vez. Se foi coincidência, é das mais muito cronometradas da República.
E é aí que a história complica.
O piso de R$ 600 foi fixado no governo Jair Bolsonaro, na transição do Auxílio Emergencial para o Auxílio Brasil. Esse valor ficou parado por todo o procuração de Lula. Agora o presidente reconhece o refrigeração, chama-o de inexplicável e o corrige quando a Datafolha mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 47% contra 45% do petista.
A pergunta que ninguém no Planalto responde é simples. Se o valor corroído pela inflação era tão grave, por que só virou prioridade na reta final da disputa?
As duas hipóteses são ruins. Se Lula não sabia, admite que não acompanhava o próprio governo. Se sabia, a explicação oferecida na Mundo não se sustenta. Em ambos os casos, quem pagou foi o beneficiário, que perdeu poder de compra em silêncio durante quatro anos.
Há também o hábito de resolver tudo com o Estado. Mais favor, mais renegociação, mais perdão de dívida, mais gratuidade, mais proibição por medida provisória. A conta, porquê sempre, vai para o tributário, e quase ninguém pergunta de onde sairá o verba. Estado generoso em ano eleitoral costuma ser Estado distraído nos outros três.
“Inexplicável” é a vocábulo certa. Só que ela descreve melhor a explicação do que o refrigeração.
Quando o poder precisa de uma eleição apertada para enxergar o que estava na sua frente havia quatro anos, o problema deixa de ser o Bolsa Família. O problema é quem decide, e quando decide.
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https://www.contrafatos.com.br/bolsa-familia-ficou-sem-reajuste-por-quatro-anos-e-lula-diz-que-so-percebeu-as-vesperas-da-eleicao//Manadeira/Créditos -> CONTRA FATOS
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