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A primeira reunião, em 1º de março de 2024
O controle de entrada do Planalto mostra que Vorcaro e Júlio se registraram na portaria no mesmo minuto, às 14h33 do dia 1º de março de 2024.
Na proposta de delação, Vorcaro conta que esteve com Alexandre Padilha, Olavo Noleto e outros interlocutores nesse encontro. “Nesse dia, estavam também o assessor Olavo, Fernando, o primo desse Olavo, e o próprio Júlio. Nessa conversa, Padilha mais ouviu do que falou, mas afirmou que ‘o que eu tratasse com Olavo seria porquê se eu estivesse tratando com o próprio Padilha”, diz Vorcaro.
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Depois da reunião com o ministro, o resultado teria sido rápido, de consonância com mensagem do operador: “Grande Daniel, já tenho novidades… Me liga”.
A proposta de propina de 10%
Vorcaro afirma que, depois dessa conversa, recebeu Júlio, Olavo e o primo dele para uma reunião reservada em sua vivenda, em Brasília. “Júlio, Olavo e seu primo foram em minha vivenda para uma conversa ensejo: ‘só haveria um jeito de entrar na Previ, Petros e Postalis: mediante pagamento de propina também na ordem de 10% de tudo o que o banco captasse’”, diz.
De consonância com o banqueiro, o projecto era captar até 10 bilhões de reais nos cofres dos fundos de pensão de servidores da Caixa, do Banco do Brasil, da Petrobras e dos Correios. Em troca do lobby junto aos fundos, o grupo do ministro de Lula receberia 1 bilhão de reais em propina, ou 10% de tudo o que o Master retirasse dos cofres.
Na delação que tentou negociar com a PGR, o possessor do Master diz que Júlio pediu e recebeu um sinal de propina de 500.000 reais. O pagamento teria ocorrido quando o governo do presidente Lula autorizou formalmente o Master a operar nos fundos. A verba foi paga por meio de um contrato de frontispício com outra empresa, segundo o relato de Vorcaro. Na proposta, ele ofereceu aos investigadores até os “recibos de propina” dada ao petismo. A PF e a PGR, porém, descartaram investigar o caso por “falta de provas”.
O segundo encontro com o “pessoal”, em 3 de abril
O controle de ingresso da Presidência também registra que Vorcaro e Júlio Cezar estiveram juntos no Planalto em 3 de abril de 2024, uma quarta-feira. Os dois se registraram às 17h29.
As mensagens do celular do banqueiro obtidas pela PF indicam que o dia dele em Brasília foi movimentado. Toda a pronunciação da agenda foi conduzida pelo lobista ligado ao ministro de Lula.
Em 28 de março, dias antes das reuniões, o operador perguntou: “Na terça, você iria a Brasília para outras reuniões também, né?”. Vorcaro respondeu: “Não. Iria só para isso”. O lobista retrucou: “Tá. Quando puder me dá uma ligada”.
Dois dias depois, Vorcaro cobrou resultados: “Colega, estou precisando confirmar as agendas na terça. Está ficando em cima”. Em seguida, sugeriu passar os compromissos para a quarta-feira e pediu que “a turma” também o recebesse no mesmo dia: “Tenta marcar na quarta mesmo com a turma. Seria melhor pra mim.” O lobista respondeu prontamente: “Eu vou tentar tudo na quarta. Pode deixar”.
No dia 1º de abril de 2024, veio a combinação: “Daniel, em seguida a reunião nossa na quarta vamos falar com o pessoal. Já deixa agenda aí pra isso. Pra permanecer com tempo”, escreveu o operador.
Na proposta de delação, Vorcaro relata que Júlio usava a vocábulo “pessoal” para se referir ao ministro de Lula e a seu braço-direito no Planalto, o portanto secretário-executivo Olavo Noleto.
Na véspera da viagem, o operador disse que queria dar “opções ao pessoal finalizar” a provável agenda: “Daniel, que horas você chega em Brasília amanhã? Porque quero dar opção de antes e depois pro pessoal finalizar”. Vorcaro informou que chegaria à capital por volta das 14h. “Já vou avisar”, respondeu o operador. Ao todo, o operador trocou mais de 450 mensagens com o possessor do Banco Master.
Passagem pelo Postalis antes do Planalto
No dia da viagem, o celular mostra que o banqueiro desceu do avião e foi direto à sede do Postalis, o fundo de pensão dos servidores dos Correios, onde o operador o aguardava. “Tô cá na sala esperando você. Pode subir”, escreveu ele.
Uma tábua do Banco Master encontrada pela PF no celular de Vorcaro indica que o projecto, com aquela reunião, era retirar pelo menos 500 milhões de reais dos cofres do fundo dos servidores usando papéis podres.
Os registros do Planalto mostram que, depois do encontro no Postalis, Júlio levou Vorcaro diretamente ao palácio para a reunião com o “pessoal”.
Os dados do celular do banqueiro apontam ainda que Padilha teria participado, dias depois, de um jantar na vivenda de Vorcaro. Além de levá-lo ao Planalto, Júlio buscava colocar o possessor do Master, com recta a tapete vermelho, “na boca do gol” de outros fundos, porquê a Petros e o Banco do Brasil, segundo um áudio. Olavo Noleto, braço-direito de Padilha, também operava os fundos, de consonância com Vorcaro. Em outra mensagem sobre o lobby, Júlio escreveu: “Me fala o que conversaram porque, de noite, eu vou escadeirar mais pesado”.
A influência de Padilha nos fundos
Na era, a influência de Alexandre Padilha no fundo dos servidores dos Correios, assim porquê em outras instituições do tipo, era notória no palácio. Meses depois do encontro, quando o portanto presidente do fundo da Caixa precisou ser substituído, o ministro indicou para a presidência da Funcef o próprio encarregado de gabinete, Richard Back.
Mensagens encontradas pela PF no celular de Vorcaro mostram que ele conheceu Back em 2023, em um encontro no Planalto também registrado na lista de presença da Presidência. O matéria eram outros investimentos. Em 17 de julho de 2023, Padilha, portanto ministro de Relações Institucionais, havia recebido em audiência os chefes dos fundos de pensão: João Fukunaga, da Previ; Camilo Fernandes dos Santos, do Postalis; Ricardo Pontes, da Funcef; e Henrique Jäger, da Petros.
O lobista não estava presente na reunião com Back. Ele só conheceu Vorcaro em março, depois que o grupo de Padilha interceptou uma tentativa de reunião do banqueiro na Petros, o fundo de pensão dos servidores da Petrobras.
Encontro com Lula e o desmonte do esquema
Além das visitas ao Planalto com o operador, Vorcaro esteve com Lula em dezembro de 2024. Esse encontro não foi registrado na portaria da Presidência. As mensagens do celular do banqueiro também mostram que o gabinete de Padilha tentou agendar uma reunião dele com Lula em outubro daquele ano, depois de o banqueiro receber Padilha num jantar em Brasília.
Na proposta de delação, Vorcaro explica que o esquema nos fundos avançou, com diferentes reuniões e negócios acertados com dirigentes das instituições, todos indicados pelo petismo. Segundo ele, tudo ruiu quando o primeiro caso virou escândalo na prelo.
Na primeira tentativa do Master de puxar 500 milhões de reais em letras financeiras na Caixa Econômica Federalista, a operação vazou para o jornal O Orbe. A jornalista Malu Gaspar noticiou, em 12 de julho de 2024, que dois gerentes da Caixa haviam sido destituídos em seguida emitirem parecer contra a operação de Vorcaro e do grupo de Padilha.
“Com as matérias difundidas na prelo em julho de 2024 sobre a suposta perda de missão de gestores da Caixa Asset que teriam sido contrários ao investimento em LFs do Banco Master, o grupo de Padilha e os dirigentes da Petros, Postalis e BB preferiram segurar a decisão de fazer o investimento”, diz Vorcaro num dentro.
O possessor do Master afirma ainda que o grupo de Padilha chegou a receber propina de 6 milhões de reais por ajudar o banco a captar recursos num fundo municipal. O banqueiro diz querer narrar essas histórias e apresentar as provas que tem dos crimes que denuncia, mas a PGR e a PF até agora não aceitaram investigar o caso.
Respostas
A reportagem tentou contato com Júlio Cezar por telefone, mas ele não retornou as ligações nem respondeu às mensagens por escrito. Na semana passada, o ministro Alexandre Padilha divulgou nota refutando as acusações de Vorcaro. Olavo Noleto também negou qualquer envolvimento em irregularidades.
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