
CLIQUE E ASSISTA AGORA: o influenciador de direita Alex Oliveira partiu para cima de FlĂĄvio Dino e fez uma delação explosiva depois que o caso envolvendo o jornalista maranhense LuĂs Pablo voltou ao nĂşcleo do debate pĂĄtrio. Revoltado, Alex disparou: âVocĂŞs estĂŁo perseguindo um jornalista porque ele denunciou um pouco da mamata de vocĂŞs no MaranhĂŁo.â
A enunciação ocorre justamente quando a controvĂŠrsia deixou de ser somente uma disputa polĂtica entre direita e STF e passou a provocar preocupação entre entidades tradicionais de prelo, juristas e jornalistas de diferentes posiçþes ideolĂłgicas.
LuĂs Pablo mantĂŠm um blog polĂtico no MaranhĂŁo e publicou reportagens envolvendo FlĂĄvio Dino, principalmente sobre o suposto uso de veĂculos oficiais ligados ao Tribunal de Justiça do MaranhĂŁo por Dino e integrantes de sua famĂlia. O jornalista afirma que seu trabalho era de interesse pĂşblico e que procurou institucionalmente o STF e o Tribunal de Justiça em procura de esclarecimentos.
O caso ganhou outra dimensão em março.
Por regra de Alexandre de Moraes, a PolĂcia Federalista cumpriu mandado de procura e inquietação contra LuĂs Pablo e recolheu seu computador e celular. Segundo o STF, a apuração estava relacionada a suspeitas de monitoramento ilĂcito dos deslocamentos e dos procedimentos de segurança de FlĂĄvio Dino.
LuĂs Pablo apresentou uma versĂŁo completamente dissemelhante.
O jornalista afirma que nĂŁo monitorou pessoalmente Dino ou familiares e sustenta que somente recebeu informaçþes de fontes, porquĂŞ ocorre em investigaçþes jornalĂsticas. Depois que a PF acessou suas conversas e identificou informantes, Pablo afirmou que a medida destrĂłi a crĂŠdito necessĂĄria para o treino de seu trabalho: quem entregarĂĄ informação a um jornalista se confiar que seu nome poderĂĄ posteriormente ser exposto em uma investigação?
Ă justamente neste ponto que o caso explodiu nacionalmente.
Nesta semana, Moraes autorizou novas buscas contra pessoas apontadas pela PolĂcia Federalista porquĂŞ fontes de LuĂs Pablo. Entre elas estĂĄ Raimundo Cutrim, ex-secretĂĄrio do Governo do MaranhĂŁo, identificado pela investigação porquĂŞ alguĂŠm que teria fornecido informaçþes utilizadas nas reportagens. TambĂŠm foram adotadas medidas contra Diogo Diniz Lima, assinalado nas apuraçþes sobre uma transferĂŞncia de R$ 100 milĂŠnio ao jornalista.
LuĂs Pablo nega que tenha recebido quantia para produzir matĂŠrias.
Segundo ele, os R$ 100 milÊnio mencionados na investigação correspondem a um emprÊstimo pessoal feito por um camarada para uma negociação imobiliåria, posteriormente devolvido. O jornalista afirma que tentar vincular esse valor ao teor publicado representa uma tentativa de criminalizar seu trabalho.
A PolĂcia Federalista sustenta outro cenĂĄrio.
A investigação apura se informaçþes sigilosas sobre veĂculos e deslocamentos de FlĂĄvio Dino foram obtidas por meio de acessos indevidos a sistemas pĂşblicos e posteriormente repassadas ao jornalista. As autoridades tambĂŠm analisam possĂveis pagamentos e eventual direcionamento polĂtico das publicaçþes.
A assessoria de Dino nega irregularidades no uso dos veĂculos e sustenta que o ministro e seus familiares foram vĂtimas de monitoramento ilĂcito, inclusive com divulgação de informaçþes consideradas sensĂveis para sua segurança.
Mas o problema agora ultrapassou completamente a figura de Dino.
A discussĂŁo chegou ao sigilo constitucional da nascente.
A Associação Brasileira de Emissoras de Rådio e Televisão, a Associação Påtrio de Jornais e a Associação Påtrio de Editores de Revistas jå haviam divulgado nota conjunta afirmando que medidas capazes de violar o sigilo da nascente representam ameaço ao livre treino do jornalismo.
Depois das novas operaçþes, outras entidades voltaram a reagir. Sociedade Interamericana de Prelo, Abraji e organizaçþes jurĂdicas demonstraram preocupação com a possibilidade de o Estado utilizar uma investigação para deslindar quem fornece informaçþes a jornalistas.
Isso muda completamente a natureza polĂtica do incidente.
Ă justamente essa fronteira que estĂĄ agora em disputa.
E foi nesse envolvente que Alex Oliveira elevou o tom.
Mas existe uma pergunta legĂtima sobre transparĂŞncia.
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