Queda nas importações e defasagem de preços acendem alerta no setor
A possibilidade de falta de combustíveis no Brasil começa a lucrar força nos bastidores do mercado. A manutenção dos preços praticados pela Petrobras no mercado interno pode levar a um cenário crítico já na segunda metade de abril.
De concordância com Sergio Araujo, presidente Executivo da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a redução nas contratações para entrega no próximo mês é significativa. O principal motivo é a diferença entre os valores internacionais e os preços praticados no país.
Importadores reduzem compras diante de prejuízo
Os números mostram um recuo significativo nas aquisições feitas por importadores. Segundo Araujo, a defasagem inviabiliza operações comerciais.
“Não faz sentido para um importador comprar lá fora petróleo e derivados cotados em mais de US$ 110 por barril e vender cá dentro por menos da metade do preço por desculpa de uma decisão política da Petrobras. Ninguém quer perder moeda, por isso param de contratar combustível. Em breve, vai estrear a faltar”, explicou Araujo em entrevista a Oeste.
A diferença atual é relevante: murado de 67% no diesel e 52% na gasolina em verificação com o mercado internacional.
Março ainda tem provisão reservado
Apesar do cenário preocupante, o fornecimento neste mês segue seguro. Isso ocorre porque os contratos foram fechados antes do início da guerra no Irã, o que garantiu a chegada das cargas ao país.
Segundo o executivo, os navios com combustíveis já chegaram ou estão em tempo final de entrega no Brasil, o que assegura o provisão no limitado prazo.
Queda brusca nas contratações preocupa
O cenário muda drasticamente quando se observa o volume contratado para abril. A redução chega perto de 70% em relação ao mês anterior.
Caso essa tendência não seja revertida rapidamente, o impacto será direto: falta de combustíveis no mercado interno.
Governo acompanha risco, mas solução é incerta
Araujo afirma que o governo já tem conhecimento do problema e procura alternativas para evitar um colapso no provisão. No entanto, ele alerta que a política de preços da Petrobras pode dificultar qualquer solução.
“O governo está consciente desse risco e está tentando encontrar uma solução. Entretanto, se a Petrobras continuar reprisando os preços dessa forma, não terá porquê evitar um desabastecimento”, explica Araujo. “A Petrobras fez um aumento muito pequeno. Ainda tem mais de R$ 2,40 de diferença sobre o diesel.”
Casos no Sul são considerados pontuais
Relatos recentes de falta de combustível no sul do Brasil já começaram a surgir, principalmente entre agricultores. Ainda assim, Araujo classifica esses episódios porquê isolados.
Segundo ele, a combinação entre expectativa de subida de preços e aumento da demanda durante a colheita elevou o consumo supra do previsto.
“Com a expectativa de aumento de preço e coincidindo com o aumento da colheita, teve um aquecimento da demanda, que está maior do que a prevista. Um pouco originário, pois, se espera uma subida dos preços, os consumidores acabam enchendo o tanque. Quem tem infraestrutura estoca combustível. E isso pode ter provocado um desabastecimento pontual”, diz o executivo.
Distribuidoras não conseguem ampliar estoques
Na tentativa de evitar problemas maiores, distribuidoras pediram volumes adicionais às refinarias da Petrobras. No entanto, esses pedidos não foram atendidos pela estatal, o que limita ainda mais a capacidade de resposta do mercado.
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