Escola diz que enredo procura mostrar atuação do movimento além das ocupações de terreno
A Acadêmicos do Tatuapé prepara para a madrugada de sábado, 14 de fevereiro, no Sambódromo do Anhembi, um desfile com samba-enredo em homenagem ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terreno (MST). O projeto conta com recursos públicos e, segundo a corporação, pretende ampliar a visão sobre o movimento, destacando frentes de atuação que vão além das invasões de propriedades rurais.
Com o tema “Plantar para Colher e Fomentar: Tem Muita Terreno Sem Gente e Muita Gente Sem Terreno”, a escola aposta em uma narrativa centrada na produção agrícola, na cultivação sustentável e na luta social atribuídas ao MST.
Direção defende abordagem social e ambiental
A diretora de Carnaval da Tatuapé, Patrícia Lafalce, afirmou ao site do próprio movimento que a proposta é reposicionar a imagem do grupo no imaginário popular.
“Vamos mostrar que o MST vai muito além da ocupação de terras. A teoria é levar para o Anhembi a força da produção camponesa, da cultivação sem veneno e sem devastação ambiental”, declarou.
Escolha do enredo segue traço histórica da escola
O presidente da escola, Eduardo Santos, destacou que a escolha do enredo está alinhada à trajetória da corporação, conhecida por abordar temas sociais em seus desfiles. Ele lembrou que, em 2025, a Tatuapé levou à avenida um enredo sobre Justiça, conquistando o segundo lugar, a exclusivamente 0,1 ponto da campeã Rosas de Ouro.
O último título da Acadêmicos do Tatuapé no Grupo Próprio foi em 2018.
“Todo ano a gente escolhe o enredo considerando força visual, potência músico, impacto cultural e, principalmente, as parcerias que conseguimos erigir”, explicou Santos.
Patrocínio público e valores envolvidos
No site solene da escola, o logotipo do MST aparece em evidência ao lado do brasão da Prefeitura de São Paulo, principal patrocinadora do Carnaval paulistano. De concórdia com informações do Metrópoles, cada escola do Grupo Próprio receberá R$ 2,76 milhões da gestão municipal em 2026, o que representa muro de R$ 70 milhões em investimento público totalidade.
Para efeito de confrontação, o Carnaval do Rio de Janeiro contará com R$ 52 milhões destinados às escolas de samba. Já a Embratur, ligada ao governo federalista, repassa R$ 12 milhões às agremiações que desfilam na Marquês de Sapucaí.
Prefeitura defende gasto com escolas de samba
O prefeito Ricardo Nunes (MDB-SP), que reduziu em R$ 12 milhões o orçamento talhado aos blocos de rua, defendeu a manutenção — e ampliação — do investimento nas escolas de samba. Segundo ele, o Carnaval da capital paulista é hoje “o maior do país”, justificando o volume de recursos públicos direcionados ao evento.
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MST,Ricardo Nunes
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