Relatórios registraram viagens, contatos políticos e interesse em métodos usados contra o xá
Documentos produzidos por órgãos de lucidez durante o regime militar mostram que dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT) foram acompanhados no início dos anos 1980 por manterem contatos políticos com o governo instaurado no Irã posteriormente a Revolução Islâmica. Os registros apontam viagens ao Oriente Médio, reuniões com representantes iranianos e análises internas sobre possíveis impactos dessas articulações no Brasil.
Os relatórios indicam que o tema despertava atenção manente entre os militares, que avaliavam com cautela a aproximação de quadros do PT com um regime recém-estabelecido, marcado por exposição revolucionário e oposição ao Poente.
Marinha registrou viagens e suspeita de procura por recursos
Relatórios do Núcleo de Lucidez da Marinha apontam que parlamentares brasileiros participaram de encontros com representantes do Partido da Revolução Islâmica, organização ligada à consolidação do novo governo iraniano.
Um dos documentos menciona que o logo deputado Airton Soares, líder do PT na Câmara à era, teria viajado ao Irã com a finalidade de buscar recursos para a legenda. Para os órgãos de lucidez, Soares atuava porquê gavinha relevante entre o PT e Teerã, desempenhando papel meão nessas articulações.
Arquivos citam “núcleo islâmico” no partido
Os registros também fazem referência à existência de um suposto “núcleo islâmico” dentro do PT, com nomes porquê Irma Passoni, Osmar Mendonça, Francisco Weffort e Jacob Bittar.
Segundo os relatórios, Luiz Inácio Lula da Silva não integraria formalmente esse grupo, mas buscaria espeque político junto a seus integrantes, o que, na avaliação dos militares, indicava influência indireta dessas discussões nas estratégias do partido.
Interesse em táticas usadas na queda do xá
Papéis do idoso Serviço Pátrio de Informações (SNI) também abordaram o tema. Um dos informes registra que dirigentes do PT analisavam táticas conhecidas porquê “foquismo de massas”, utilizadas por revolucionários iranianos durante a derrubada do xá Mohammad Reza Pahlavi.
De pacto com o SNI, Jacob Bittar aparecia porquê um dos entusiastas desse método, fundamentado em mobilização popular contínua e pressão direta contra estruturas do Estado.
Greves no ABC e atenção às Forças Armadas
Os relatórios também relacionam essas discussões a greves no ABC paulista, nas quais teriam surgido propostas de confronto com forças policiais. Em outro documento, datado de julho de 1980, o SNI afirmou que Airton Soares, posteriormente retornar do Irã, estaria atuando para buscar neutralidade das Forças Armadas em debates políticos.
Para os órgãos de lucidez do governo militar, essas movimentações indicariam tentativas de apropriar estratégias estrangeiras de mobilização política ao contexto brasílio.
Versão apresentada por Airton Soares
Questionado à era, Airton Soares declarou que esteve no Irã para participar de um fórum de solidariedade ao povo iraniano, em meio às tensões internacionais com os Estados Unidos e o idoso regime do xá. Ele negou que a viagem tivesse objetivos financeiros ou conspiratórios.
Ainda assim, os documentos mostram que a aproximação entre dirigentes do PT e o governo iraniano foi acompanhada de perto pelos órgãos de lucidez do regime militar, que viam o incidente porquê sinal da influência de modelos revolucionários estrangeiros na formação política do partido.
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