Depois de um 2025 para olvidar, com desvalorização superior a 13%, em contraste com a subida de 34% do Ibovespa no período, o JPMorgan retomou a cobertura de Rumo (RAIL3) com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 20,00 para dezembro de 2026.
Embora a perspectiva de volumes siga favorável até 2026, o banco espera pressão contínua sobre os preços de frete no pequeno prazo. Ou por outra, no médio e longo prazos, a Rumo tende a permanecer mais exposta a oscilações cíclicas, uma vez que os contratos do tipo take-or-pay vêm sendo negociados com prazos de aviso mais curtos, em um contexto parcialmente influenciado por preços de commodities pressionados.
Nesse cenário, o JPMorgan vê poucos catalisadores de pequeno prazo que justifiquem uma reprecificação do papel, apesar de a ação simular estar descontada à primeira vista. Pelas estimativas do banco, a RAIL3 negocia a uma taxa interna de retorno (TIR) real de 11,9% e a 5,7 vezes EV/Ebitda (Valor da Firma sobre Ebitda) projetado para 2026, o que representa um desconto de muro de 30% em relação aos níveis históricos.
Não perdida a oportunidade!
O banco reconhece e vê de forma positiva as mudanças recentes na estrutura corporativa da companhia de logística, mas avalia que os potenciais benefícios devem levar tempo para se materializar. Em termos relativos, o JPMorgan prefere Localiza (RENT3) e Motiva (MOTV3), ambas com classificação overweight (exposição supra da média do mercado, equivalente à compra).
Cenário reptador
O banco destaca que o cenário de pequeno prazo para o mercado de grãos segue reptador. As taxas de comercialização no Mato Grosso permanecem aquém da média histórica, o que limita significativamente a disposição das tradings em firmar contratos take-or-pay com a Rumo com antecedência. A perspectiva ainda fraca para os preços das commodities tende a substanciar esse comportamento no pequeno prazo.
Dados recentes sobre fretes rodoviários no Mato Grosso indicam que a opção ferroviária ajustou seus preços para se tornar mais competitiva nos últimos meses. Com isso, o JPMorgan projeta que os rendimentos da Rumo recuem em dígitos simples na confrontação anual no primeiro semestre de 2026, refletindo uma base de confrontação mais elevada, com normalização esperada unicamente no segundo semestre.
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Governança corporativa
O JPMorgan também avalia que a renovação da estrutura de governança pode gerar ganhos no médio e longo prazos. Em seguida a recente reforma societária da Cosan (CSAN3), representantes do BTG Pactual (BPAC11) e da Perfin passaram a integrar o parecer de gestão da Rumo. O banco vê esse movimento de forma positiva e acredita que a ingresso de dois investidores renomados tende a influenciar favoravelmente a estratégia de alocação de capital da companhia. Ainda assim, os efeitos práticos dessas mudanças devem surgir unicamente ao longo do tempo, o que limita o potencial de valorização imediata.
Ou por outra, notícias recentes indicam que a Ultrapar (UGPA3) pode ter adquirido uma participação próxima a 5% na Rumo por meio de um totalidade return swap (derivativo no qual o investidor passa a ter exposição econômica ao ativo, sem paralisar diretamente as ações). Embora não haja confirmação formal até o momento, o JPMorgan lembra que a Ultrapar já detém 55% da Hidrovias do Brasil e atua na gestão de segmento das exportações de grãos do Mato Grosso. Ou por outra, Marcos Lutz, presidente do parecer da Ultrapar, já foi CEO da Cosan e conhece muito a Rumo. Apesar das incertezas, o banco não descarta a possibilidade de um movimento mais assertivo no porvir.
Ações,Hard News,Jpmorgan Chase & Co.,Rumo
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