Diante de sucessivas derrotas no Congresso Vernáculo e do extenuação da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo do PT repete condutas históricas e reage com a intensificação de discursos de confronto e apelos à militância, segundo avaliações publicadas em editoriais dos jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo.
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A recente tentativa de aumentar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) por decreto, derrubada pelo Parlamento e agora judicializada no STF, é argumento e exemplo dos jornais para o padrão de reação do Planalto em momentos de desgaste político.
Para a Folha, o PT recorre a uma “radicalização do oração ideológico ao se ver politicamente acuado”. Conforme o texto, a estratégia também ocorreu no contexto da reeleição de Dilma Rousseff, em 2014. Para o jornal, há semelhanças entre os episódios.
“Assim uma vez que Dilma, com a reeleição sob risco, demonizou adversários e reformas, Lula decidiu transformar sua tentativa de erguer um imposto numa cruzada heroica contra opressores poderosos dos brasileiros desvalidos”, escreveu a Folha.
Segundo o editorial, o governo atual procura produzir uma narrativa em que o PT aparece uma vez que o único patrono dos pobres. Enquanto isso, sataniza as demais forças políticas. No texto, a Folha advertiu que essa estratégia é “muito perigosa para um governo — uma vez que o demonstra o caso extremo da derrocada de Dilma” e “avilta o debate sempre urgente sobre o combate à pobreza e à desigualdade social”.
Ação do governo do PT no STF
No mesmo tom crítico, o jornal O Estado de S. Paulo destacou que Lula e o PT, depois de derrotas no Legislativo, passaram a insuflar a militância e identificaram o Congresso uma vez que “inimigo do povo”, para acirrar o oração da “luta de classes”. Conforme o jornal, o governo apostou no “populismo mais estridente” e arriscou o saudação institucional em obséquio de uma retórica de confronto.
“O governo parece só ter enxergado o caminho do populismo mais estridente”, opinou o Estadão. “Com a estratégia de franco-atiradores, Lula e seus exegetas podem ter escolhido o pior: jogam a toalha do saudação institucional e da prudência e já contratam a extensão da crise.”
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Os editoriais também alertam para os riscos institucionais da decisão de judicializar derrotas políticas. O Estadão vê na ação do governo no STF um sinal de que o Executivo “desistiu de tentar dissipar os ânimos com o Legislativo” e que antecipou a disputa eleitoral de 2026. Ambos os jornais temem que a radicalização do oração e o confronto entre Poderes aprofundem a partilha do país e prejudiquem a governabilidade.
Além das tensões políticas, as ações do governo petista reverberam em outros setores da sociedade. A tentativa de erguer o IOF, por exemplo, foi mal recebida por entidades empresariais e do setor financeiro e considerada mal comunicada. Ou por outra, é vista uma vez que politicamente desastrada ao ser apresentada sem diálogo prévio com o Congresso.
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